Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição
Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras
providências.
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CAPÍTULO
I
DIRETRIZES
GERAIS
Art. 1o
Na execução da política urbana, de que tratam os arts. 182 e 183 da
Constituição Federal, será aplicado o previsto nesta Lei.
Parágrafo
único. Para todos os efeitos, esta Lei, denominada Estatuto da Cidade,
estabelece normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da
propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos
cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental.
Art. 2o
A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções
sociais da cidade e da propriedade urbana, mediante as seguintes diretrizes
gerais:
I –
garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como o direito à terra
urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, ao transporte
e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras
gerações;
II –
gestão democrática por meio da participação da população e de associações
representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação, execução e
acompanhamento de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano;
III –
cooperação entre os governos, a iniciativa privada e os demais setores da
sociedade no processo de urbanização, em atendimento ao interesse social;
IV –
planejamento do desenvolvimento das cidades, da distribuição espacial da
população e das atividades econômicas do Município e do território sob sua área
de influência, de modo a evitar e corrigir as distorções do crescimento urbano
e seus efeitos negativos sobre o meio ambiente;
V – oferta
de equipamentos urbanos e comunitários, transporte e serviços públicos
adequados aos interesses e necessidades da população e às características
locais;
VI –
ordenação e controle do uso do solo, de forma a evitar:
a) a
utilização inadequada dos imóveis urbanos;
b) a
proximidade de usos incompatíveis ou inconvenientes;
c) o
parcelamento do solo, a edificação ou o uso excessivos ou inadequados em
relação à infra-estrutura urbana;
d) a
instalação de empreendimentos ou atividades que possam funcionar como pólos
geradores de tráfego, sem a previsão da infra-estrutura correspondente;
e) a
retenção especulativa de imóvel urbano, que resulte na sua subutilização ou não
utilização;
f) a
deterioração das áreas urbanizadas;
g) a
poluição e a degradação ambiental;
VII –
integração e complementaridade entre as atividades urbanas e rurais, tendo em
vista o desenvolvimento socioeconômico do Município e do território sob sua
área de influência;
VIII –
adoção de padrões de produção e consumo de bens e serviços e de expansão urbana
compatíveis com os limites da sustentabilidade ambiental, social e econômica do
Município e do território sob sua área de influência;
IX –
justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do processo de
urbanização;
X –
adequação dos instrumentos de política econômica, tributária e financeira e dos
gastos públicos aos objetivos do desenvolvimento urbano, de modo a privilegiar
os investimentos geradores de bem-estar geral e a fruição dos bens pelos
diferentes segmentos sociais;
XI –
recuperação dos investimentos do Poder Público de que tenha resultado a
valorização de imóveis urbanos;
XII –
proteção, preservação e recuperação do meio ambiente natural e construído, do
patrimônio cultural, histórico, artístico, paisagístico e arqueológico;
XIII –
audiência do Poder Público municipal e da população interessada nos processos
de implantação de empreendimentos ou atividades com efeitos potencialmente
negativos sobre o meio ambiente natural ou construído, o conforto ou a
segurança da população;
XIV –
regularização fundiária e urbanização de áreas ocupadas por população de baixa
renda mediante o estabelecimento de normas especiais de urbanização, uso e
ocupação do solo e edificação, consideradas a situação socioeconômica da
população e as normas ambientais;
XV –
simplificação da legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo e das
normas edilícias, com vistas a permitir a redução dos custos e o aumento da
oferta dos lotes e unidades habitacionais;
XVI –
isonomia de condições para os agentes públicos e privados na promoção de
empreendimentos e atividades relativos ao processo de urbanização, atendido o
interesse social.
Art. 3o
Compete à União, entre outras atribuições de interesse da política urbana:
I –
legislar sobre normas gerais de direito urbanístico;
II –
legislar sobre normas para a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios em relação à política urbana, tendo em vista o
equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional;
III –
promover, por iniciativa própria e em conjunto com os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios, programas de construção de moradias e a melhoria das
condições habitacionais e de saneamento básico;
IV –
instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação,
saneamento básico e transportes urbanos;
V –
elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e
de desenvolvimento econômico e social.
CAPÍTULO
II
DOS
INSTRUMENTOS DA POLÍTICA URBANA
Seção I
Dos
instrumentos em geral
Art. 4o
Para os fins desta Lei, serão utilizados, entre outros instrumentos:
I –
planos nacionais, regionais e estaduais de ordenação do território e de
desenvolvimento econômico e social;
II –
planejamento das regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões;
III –
planejamento municipal, em especial:
a) plano
diretor;
b)
disciplina do parcelamento, do uso e da ocupação do solo;
c)
zoneamento ambiental;
d) plano
plurianual;
e)
diretrizes orçamentárias e orçamento anual;
f) gestão
orçamentária participativa;
g)
planos, programas e projetos setoriais;
h) planos
de desenvolvimento econômico e social;
IV –
institutos tributários e financeiros:
a)
imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana - IPTU;
b)
contribuição de melhoria;
c)
incentivos e benefícios fiscais e financeiros;
V –
institutos jurídicos e políticos:
a)
desapropriação;
b)
servidão administrativa;
c)
limitações administrativas;
d)
tombamento de imóveis ou de mobiliário urbano;
e)
instituição de unidades de conservação;
f)
instituição de zonas especiais de interesse social;
g)
concessão de direito real de uso;
h)
concessão de uso especial para fins de moradia;
i)
parcelamento, edificação ou utilização compulsórios;
j)
usucapião especial de imóvel urbano;
l)
direito de superfície;
m)
direito de preempção;
n)
outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso;
o)
transferência do direito de construir;
p)
operações urbanas consorciadas;
q)
regularização fundiária;
s)
referendo popular e plebiscito;
u) legitimação de posse.
VI –
estudo prévio de impacto ambiental (EIA) e estudo prévio de impacto de
vizinhança (EIV).
§ 1o
Os instrumentos mencionados neste artigo regem-se pela legislação que
lhes é própria, observado o disposto nesta Lei.
§ 2o
Nos casos de programas e projetos habitacionais de interesse social,
desenvolvidos por órgãos ou entidades da Administração Pública com atuação
específica nessa área, a concessão de direito real de uso de imóveis públicos
poderá ser contratada coletivamente.
§ 3o
Os instrumentos previstos neste artigo que demandam dispêndio de recursos
por parte do Poder Público municipal devem ser objeto de controle social,
garantida a participação de comunidades, movimentos e entidades da sociedade
civil.
Seção II
Do
parcelamento, edificação ou utilização compulsórios
Art. 5o
Lei municipal específica para área incluída no plano diretor poderá determinar
o parcelamento, a edificação ou a utilização compulsórios do solo urbano não
edificado, subutilizado ou não utilizado, devendo fixar as condições e os
prazos para implementação da referida obrigação.
§ 1o
Considera-se subutilizado o imóvel:
I – cujo
aproveitamento seja inferior ao mínimo definido no plano diretor ou em
legislação dele decorrente;
§ 2o
O proprietário será notificado pelo Poder Executivo municipal para o
cumprimento da obrigação, devendo a notificação ser averbada no cartório de
registro de imóveis.
§ 3o
A notificação far-se-á:
I – por
funcionário do órgão competente do Poder Público municipal, ao proprietário do
imóvel ou, no caso de este ser pessoa jurídica, a quem tenha poderes de
gerência geral ou administração;
II – por
edital quando frustrada, por três vezes, a tentativa de notificação na forma
prevista pelo inciso I.
§ 4o
Os prazos a que se refere o caput não poderão ser inferiores a:
I - um
ano, a partir da notificação, para que seja protocolado o projeto no órgão
municipal competente;
II - dois
anos, a partir da aprovação do projeto, para iniciar as obras do
empreendimento.
§ 5o
Em empreendimentos de grande porte, em caráter excepcional, a lei municipal
específica a que se refere o caput poderá prever a conclusão em etapas,
assegurando-se que o projeto aprovado compreenda o empreendimento como um todo.
Art. 6o
A transmissão do imóvel, por ato inter vivos ou causa mortis, posterior à data
da notificação, transfere as obrigações de parcelamento, edificação ou
utilização previstas no art. 5o desta Lei, sem interrupção de
quaisquer prazos.
Seção III
Do IPTU
progressivo no tempo
Art. 7o
Em caso de descumprimento das condições e dos prazos previstos na
forma do caput do art. 5o desta Lei, ou não sendo
cumpridas as etapas previstas no § 5o do art. 5o
desta Lei, o Município procederá à aplicação do imposto sobre a
propriedade predial e territorial urbana (IPTU) progressivo no tempo, mediante
a majoração da alíquota pelo prazo de cinco anos consecutivos.
§ 1o
O valor da alíquota a ser aplicado a cada ano será fixado na lei
específica a que se refere o caput do art. 5o desta
Lei e não excederá a duas vezes o valor referente ao ano anterior, respeitada a
alíquota máxima de quinze por cento.
§ 2o
Caso a obrigação de parcelar, edificar ou utilizar não esteja atendida em
cinco anos, o Município manterá a cobrança pela alíquota máxima, até que se
cumpra a referida obrigação, garantida a prerrogativa prevista no art. 8o.
§ 3o
É vedada a concessão de isenções ou de anistia relativas à tributação
progressiva de que trata este artigo.
Seção IV
Da
desapropriação com pagamento em títulos
Art. 8o
Decorridos cinco anos de cobrança do IPTU progressivo sem que o
proprietário tenha cumprido a obrigação de parcelamento, edificação ou
utilização, o Município poderá proceder à desapropriação do imóvel, com
pagamento em títulos da dívida pública.
§ 1o
Os títulos da dívida pública terão prévia aprovação pelo Senado Federal e serão
resgatados no prazo de até dez anos, em prestações anuais, iguais e sucessivas,
assegurados o valor real da indenização e os juros legais de seis por cento ao
ano.
§ 2o
O valor real da indenização:
I –
refletirá o valor da base de cálculo do IPTU, descontado o montante incorporado
em função de obras realizadas pelo Poder Público na área onde o mesmo se
localiza após a notificação de que trata o § 2o do art. 5o
desta Lei;
II – não
computará expectativas de ganhos, lucros cessantes e juros compensatórios.
§ 3o
Os títulos de que trata este artigo não terão poder liberatório para pagamento
de tributos.
§ 4o
O Município procederá ao adequado aproveitamento do imóvel no prazo máximo de
cinco anos, contado a partir da sua incorporação ao patrimônio público.
§ 5o
O aproveitamento do imóvel poderá ser efetivado diretamente pelo Poder Público
ou por meio de alienação ou concessão a terceiros, observando-se, nesses casos,
o devido procedimento licitatório.
§ 6o
Ficam mantidas para o adquirente de imóvel nos termos do § 5o
as mesmas obrigações de parcelamento, edificação ou utilização previstas no
art. 5o desta Lei.
Seção V
Da
usucapião especial de imóvel urbano
Art. 9o
Aquele que possuir como sua área ou edificação urbana de até duzentos
e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição,
utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio,
desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
§ 1o
O título de domínio será conferido ao homem ou à mulher, ou a ambos,
independentemente do estado civil.
§ 2o
O direito de que trata este artigo não será reconhecido ao mesmo possuidor mais
de uma vez.
§ 3o
Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno direito, a
posse de seu antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da abertura
da sucessão.
Art. 10.
As áreas urbanas com mais de duzentos e cinqüenta metros quadrados,
ocupadas por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos,
ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os terrenos
ocupados por cada possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas
coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel
urbano ou rural.
§ 1o
O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este artigo,
acrescentar sua posse à de seu antecessor, contanto que ambas sejam contínuas.
§ 2o
A usucapião especial coletiva de imóvel urbano será declarada pelo juiz,
mediante sentença, a qual servirá de título para registro no cartório de
registro de imóveis.
§ 3o
Na sentença, o juiz atribuirá igual fração ideal de terreno a cada possuidor,
independentemente da dimensão do terreno que cada um ocupe, salvo hipótese de
acordo escrito entre os condôminos, estabelecendo frações ideais diferenciadas.
§ 4o
O condomínio especial constituído é indivisível, não sendo passível de
extinção, salvo deliberação favorável tomada por, no mínimo, dois terços dos
condôminos, no caso de execução de urbanização posterior à constituição do
condomínio.
§ 5o
As deliberações relativas à administração do condomínio especial serão tomadas
por maioria de votos dos condôminos presentes, obrigando também os demais,
discordantes ou ausentes.
Art. 11.
Na pendência da ação de usucapião especial urbana, ficarão sobrestadas
quaisquer outras ações, petitórias ou possessórias, que venham a ser propostas
relativamente ao imóvel usucapiendo.
Art. 12.
São partes legítimas para a propositura da ação de usucapião especial
urbana:
I – o
possuidor, isoladamente ou em litisconsórcio originário ou superveniente;
II – os
possuidores, em estado de composse;
III –
como substituto processual, a associação de moradores da comunidade,
regularmente constituída, com personalidade jurídica, desde que explicitamente
autorizada pelos representados.
§ 1o
Na ação de usucapião especial urbana é obrigatória a intervenção do Ministério
Público.
§ 2o
O autor terá os benefícios da justiça e da assistência judiciária gratuita,
inclusive perante o cartório de registro de imóveis.
Art. 13.
A usucapião especial de imóvel urbano poderá ser invocada como matéria de
defesa, valendo a sentença que a reconhecer como título para registro no
cartório de registro de imóveis.
Art. 14.
Na ação judicial de usucapião especial de imóvel urbano, o rito processual
a ser observado é o sumário.
Seção VII
Do
direito de superfície
Art. 21.
O proprietário urbano poderá conceder a outrem o direito de superfície do
seu terreno, por tempo determinado ou indeterminado, mediante escritura pública
registrada no cartório de registro de imóveis.
§ 1o
O direito de superfície abrange o direito de utilizar o solo, o subsolo ou o
espaço aéreo relativo ao terreno, na forma estabelecida no contrato respectivo,
atendida a legislação urbanística.
§ 2o
A concessão do direito de superfície poderá ser gratuita ou onerosa.
§ 3o
O superficiário responderá integralmente pelos encargos e tributos que
incidirem sobre a propriedade superficiária, arcando, ainda, proporcionalmente
à sua parcela de ocupação efetiva, com os encargos e tributos sobre a área
objeto da concessão do direito de superfície, salvo disposição em contrário do
contrato respectivo.
§ 4o
O direito de superfície pode ser transferido a terceiros, obedecidos os termos
do contrato respectivo.
§ 5o
Por morte do superficiário, os seus direitos transmitem-se a seus herdeiros.
Art. 22.
Em caso de alienação do terreno, ou do direito de superfície, o
superficiário e o proprietário, respectivamente, terão direito de preferência,
em igualdade de condições à oferta de terceiros.
Art. 23.
Extingue-se o direito de superfície:
I – pelo
advento do termo;
II – pelo
descumprimento das obrigações contratuais assumidas pelo superficiário.
Art. 24.
Extinto o direito de superfície, o proprietário recuperará o pleno domínio
do terreno, bem como das acessões e benfeitorias introduzidas no imóvel,
independentemente de indenização, se as partes não houverem estipulado o
contrário no respectivo contrato.
§ 1o
Antes do termo final do contrato, extinguir-se-á o direito de superfície se o
superficiário der ao terreno destinação diversa daquela para a qual for
concedida.
§ 2o
A extinção do direito de superfície será averbada no cartório de registro de
imóveis.
Seção
VIII
Do
direito de preempção
Art. 25.
O direito de preempção confere ao Poder Público municipal preferência para
aquisição de imóvel urbano objeto de alienação onerosa entre particulares.
§ 1o
Lei municipal, baseada no plano diretor, delimitará as áreas em que incidirá o
direito de preempção e fixará prazo de vigência, não superior a cinco anos,
renovável a partir de um ano após o decurso do prazo inicial de vigência.
§ 2o
O direito de preempção fica assegurado durante o prazo de vigência fixado na
forma do § 1o, independentemente do número de alienações
referentes ao mesmo imóvel.
Art. 26.
O direito de preempção será exercido sempre que o Poder Público necessitar
de áreas para:
I –
regularização fundiária;
II –
execução de programas e projetos habitacionais de interesse social;
III –
constituição de reserva fundiária;
IV –
ordenamento e direcionamento da expansão urbana;
V –
implantação de equipamentos urbanos e comunitários;
VI –
criação de espaços públicos de lazer e áreas verdes;
VII –
criação de unidades de conservação ou proteção de outras áreas de interesse
ambiental;
VIII –
proteção de áreas de interesse histórico, cultural ou paisagístico;
Parágrafo
único. A lei municipal prevista no § 1o do art. 25 desta Lei
deverá enquadrar cada área em que incidirá o direito de preempção em uma ou
mais das finalidades enumeradas por este artigo.
Art. 27.
O proprietário deverá notificar sua intenção de alienar o imóvel, para que
o Município, no prazo máximo de trinta dias, manifeste por escrito seu
interesse em comprá-lo.
§ 1o
À notificação mencionada no caput será anexada proposta de compra assinada por
terceiro interessado na aquisição do imóvel, da qual constarão preço, condições
de pagamento e prazo de validade.
§ 2o
O Município fará publicar, em órgão oficial e em pelo menos um jornal local ou
regional de grande circulação, edital de aviso da notificação recebida nos
termos do caput e da intenção de aquisição do imóvel nas condições da proposta
apresentada.
§ 3o
Transcorrido o prazo mencionado no caput sem manifestação, fica o proprietário
autorizado a realizar a alienação para terceiros, nas condições da proposta
apresentada.
§ 4o
Concretizada a venda a terceiro, o proprietário fica obrigado a apresentar ao
Município, no prazo de trinta dias, cópia do instrumento público de alienação
do imóvel.
§ 5o
A alienação processada em condições diversas da proposta apresentada é nula de
pleno direito.
§ 6o
Ocorrida a hipótese prevista no § 5o o Município poderá
adquirir o imóvel pelo valor da base de cálculo do IPTU ou pelo valor indicado
na proposta apresentada, se este for inferior àquele.
Seção IX
Da
outorga onerosa do direito de construir
Art. 28.
O plano diretor poderá fixar áreas nas quais o direito de construir poderá
ser exercido acima do coeficiente de aproveitamento básico adotado, mediante
contrapartida a ser prestada pelo beneficiário.
§ 1o
Para os efeitos desta Lei, coeficiente de aproveitamento é a relação entre a
área edificável e a área do terreno.
§ 2o
O plano diretor poderá fixar coeficiente de aproveitamento básico único para
toda a zona urbana ou diferenciado para áreas específicas dentro da zona
urbana.
§ 3o
O plano diretor definirá os limites máximos a serem atingidos pelos
coeficientes de aproveitamento, considerando a proporcionalidade entre a
infra-estrutura existente e o aumento de densidade esperado em cada área.
Art. 29.
O plano diretor poderá fixar áreas nas quais poderá ser permitida alteração
de uso do solo, mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário.
Art. 30.
Lei municipal específica estabelecerá as condições a serem observadas para
a outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso, determinando:
I – a
fórmula de cálculo para a cobrança;
II – os
casos passíveis de isenção do pagamento da outorga;
III – a
contrapartida do beneficiário.
Art. 31.
Os recursos auferidos com a adoção da outorga onerosa do direito de
construir e de alteração de uso serão aplicados com as finalidades previstas
nos incisos I a IX do art. 26 desta Lei.
Seção X
Das
operações urbanas consorciadas
Art. 32.
Lei municipal específica, baseada no plano diretor, poderá delimitar área
para aplicação de operações consorciadas.
§ 1o
Considera-se operação urbana consorciada o conjunto de intervenções e medidas
coordenadas pelo Poder Público municipal, com a participação dos proprietários,
moradores, usuários permanentes e investidores privados, com o objetivo de
alcançar em uma área transformações urbanísticas estruturais, melhorias sociais
e a valorização ambiental.
§ 2o
Poderão ser previstas nas operações urbanas consorciadas, entre outras medidas:
I – a
modificação de índices e características de parcelamento, uso e ocupação do
solo e subsolo, bem como alterações das normas edilícias, considerado o impacto
ambiental delas decorrente;
II – a
regularização de construções, reformas ou ampliações executadas em desacordo
com a legislação vigente.
Art. 33.
Da lei específica que aprovar a operação urbana consorciada constará o
plano de operação urbana consorciada, contendo, no mínimo:
I –
definição da área a ser atingida;
II –
programa básico de ocupação da área;
III –
programa de atendimento econômico e social para a população diretamente afetada
pela operação;
IV –
finalidades da operação;
V –
estudo prévio de impacto de vizinhança;
VI –
contrapartida a ser exigida dos proprietários, usuários permanentes e
investidores privados em função da utilização dos benefícios previstos nos
incisos I e II do § 2o do art. 32 desta Lei;
VII –
forma de controle da operação, obrigatoriamente compartilhado com representação
da sociedade civil.
§ 1o
Os recursos obtidos pelo Poder Público municipal na forma do inciso VI
deste artigo serão aplicados exclusivamente na própria operação urbana
consorciada.
§ 2o
A partir da aprovação da lei específica de que trata o caput, são nulas
as licenças e autorizações a cargo do Poder Público municipal expedidas em
desacordo com o plano de operação urbana consorciada.
Art. 34.
A lei específica que aprovar a operação urbana consorciada poderá prever a
emissão pelo Município de quantidade determinada de certificados de potencial
adicional de construção, que serão alienados em leilão ou utilizados
diretamente no pagamento das obras necessárias à própria operação.
§ 1o
Os certificados de potencial adicional de construção serão livremente
negociados, mas conversíveis em direito de construir unicamente na área objeto
da operação.
§ 2o
Apresentado pedido de licença para construir, o certificado de potencial
adicional será utilizado no pagamento da área de construção que supere os
padrões estabelecidos pela legislação de uso e ocupação do solo, até o limite
fixado pela lei específica que aprovar a operação urbana consorciada.
Seção XI
Da
transferência do direito de construir
Art. 35.
Lei municipal, baseada no plano diretor, poderá autorizar o proprietário de
imóvel urbano, privado ou público, a exercer em outro local, ou alienar,
mediante escritura pública, o direito de construir previsto no plano diretor ou
em legislação urbanística dele decorrente, quando o referido imóvel for
considerado necessário para fins de:
I –
implantação de equipamentos urbanos e comunitários;
II –
preservação, quando o imóvel for considerado de interesse histórico, ambiental,
paisagístico, social ou cultural;
III –
servir a programas de regularização fundiária, urbanização de áreas ocupadas
por população de baixa renda e habitação de interesse social.
§ 1o
A mesma faculdade poderá ser concedida ao proprietário que doar ao Poder
Público seu imóvel, ou parte dele, para os fins previstos nos incisos I a III
do caput.
§ 2o
A lei municipal referida no caput estabelecerá as condições relativas à
aplicação da transferência do direito de construir.
Seção XII
Do estudo
de impacto de vizinhança
Art. 36.
Lei municipal definirá os empreendimentos e atividades privados ou públicos
em área urbana que dependerão de elaboração de estudo prévio de impacto de
vizinhança (EIV) para obter as licenças ou autorizações de construção,
ampliação ou funcionamento a cargo do Poder Público municipal.
Art. 37.
O EIV será executado de forma a contemplar os efeitos positivos e negativos
do empreendimento ou atividade quanto à qualidade de vida da população
residente na área e suas proximidades, incluindo a análise, no mínimo, das
seguintes questões:
I –
adensamento populacional;
II –
equipamentos urbanos e comunitários;
III – uso
e ocupação do solo;
IV –
valorização imobiliária;
V –
geração de tráfego e demanda por transporte público;
VI –
ventilação e iluminação;
VII –
paisagem urbana e patrimônio natural e cultural.
Parágrafo
único. Dar-se-á publicidade aos documentos integrantes do EIV, que ficarão
disponíveis para consulta, no órgão competente do Poder Público municipal, por
qualquer interessado.
Art. 38.
A elaboração do EIV não substitui a elaboração e a aprovação de estudo
prévio de impacto ambiental (EIA), requeridas nos termos da legislação
ambiental.
DO PLANO
DIRETOR
Art. 39.
A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências
fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor, assegurando o
atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça
social e ao desenvolvimento das atividades econômicas, respeitadas as
diretrizes previstas no art. 2o desta Lei.
Art. 40.
O plano diretor, aprovado por lei municipal, é o instrumento básico da
política de desenvolvimento e expansão urbana.
§ 1o
O plano diretor é parte integrante do processo de planejamento municipal,
devendo o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e o orçamento anual
incorporar as diretrizes e as prioridades nele contidas.
§ 3o
A lei que instituir o plano diretor deverá ser revista, pelo menos, a cada dez
anos.
§ 4o
No processo de elaboração do plano diretor e na fiscalização de sua
implementação, os Poderes Legislativo e Executivo municipais garantirão:
I – a
promoção de audiências públicas e debates com a participação da população e de
associações representativas dos vários segmentos da comunidade;
II – a
publicidade quanto aos documentos e informações produzidos;
III – o
acesso de qualquer interessado aos documentos e informações produzidos.
§ 5o
(VETADO)
Art. 41.
O plano diretor é obrigatório para cidades:
I – com
mais de vinte mil habitantes;
II –
integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas;
III –
onde o Poder Público municipal pretenda utilizar os instrumentos previstos no § 4o
do art. 182 da Constituição Federal;
IV –
integrantes de áreas de especial interesse turístico;
V –
inseridas na área de influência de empreendimentos ou atividades com
significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional.
VI - incluídas no cadastro nacional de Municípios com áreas suscetíveis
à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou
processos geológicos ou hidrológicos correlatos.
§ 1o
No caso da realização de empreendimentos ou atividades enquadrados no inciso V
do caput, os recursos técnicos e financeiros para a elaboração do plano diretor
estarão inseridos entre as medidas de compensação adotadas.
§ 2o
No caso de cidades com mais de quinhentos mil habitantes, deverá ser elaborado
um plano de transporte urbano integrado, compatível com o plano diretor ou nele
inserido.
Art. 42.
O plano diretor deverá conter no mínimo:
I – a
delimitação das áreas urbanas onde poderá ser aplicado o parcelamento,
edificação ou utilização compulsórios, considerando a existência de
infra-estrutura e de demanda para utilização, na forma do art. 5o
desta Lei;
II –
disposições requeridas pelos arts. 25, 28, 29, 32 e 35 desta Lei;
III –
sistema de acompanhamento e controle.
Art. 42-A. Além do conteúdo previsto no art.
42, o plano diretor dos Municípios incluídos no cadastro nacional de municípios
com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto,
inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos deverá
conter:
I - parâmetros de parcelamento, uso e ocupação do solo, de modo a
promover a diversidade de usos e a contribuir para a geração de emprego e renda;
II - mapeamento contendo as áreas suscetíveis à ocorrência de
deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou processos geológicos ou
hidrológicos correlatos;
III - planejamento de ações de intervenção preventiva e realocação
de população de áreas de risco de desastre;
IV - medidas de drenagem urbana necessárias à prevenção e à
mitigação de impactos de desastres; e
V - diretrizes para a regularização fundiária de assentamentos
urbanos irregulares, se houver, observadas a Lei no
11.977, de 7 de julho de 2009, e demais normas
federais e estaduais pertinentes, e previsão de áreas para habitação de
interesse social por meio da demarcação de zonas especiais de interesse social
e de outros instrumentos de política urbana, onde o uso habitacional for
permitido.
§ 1o A identificação e o mapeamento de
áreas de risco levarão em conta as cartas geotécnicas.
§ 2o O conteúdo do plano diretor deverá
ser compatível com as disposições insertas nos planos de recursos hídricos,
formulados consoante a Lei no
9.433, de 8 de janeiro de 1997.
§ 3o Os Municípios adequarão o plano diretor às
disposições deste artigo, por ocasião de sua revisão, observados os prazos
legais.
§ 4o Os Municípios enquadrados no inciso
VI do art. 41 desta Lei e que não tenham plano diretor aprovado terão o prazo
de 5 (cinco) anos para o seu encaminhamento para aprovação pela Câmara
Municipal.
Art. 42-B. Os Municípios que pretendam
ampliar o seu perímetro urbano após a data de publicação desta Lei deverão
elaborar projeto específico que contenha, no mínimo:
I - demarcação do novo perímetro urbano;
II - delimitação dos trechos com restrições à urbanização e dos
trechos sujeitos a controle especial em função de ameaça de desastres
naturais;
III - definição de diretrizes específicas e de áreas que
serão utilizadas para infraestrutura, sistema viário, equipamentos e
instalações públicas, urbanas e sociais;
IV - definição de parâmetros de parcelamento, uso e
ocupação do solo, de modo a promover a diversidade de usos e contribuir para a
geração de emprego e renda;
V - a previsão de áreas para habitação de interesse
social por meio da demarcação de zonas especiais de interesse social e de
outros instrumentos de política urbana, quando o uso habitacional for
permitido;
VI - definição de diretrizes e instrumentos específicos
para proteção ambiental e do patrimônio histórico e cultural; e
VII - definição de mecanismos para garantir a justa
distribuição dos ônus e benefícios decorrentes do processo de urbanização do
território de expansão urbana e a recuperação para a coletividade da
valorização imobiliária resultante da ação do poder público.
§ 1o O projeto específico de que trata o
caput deste artigo deverá ser instituído por lei municipal e atender às
diretrizes do plano diretor, quando houver.
§ 2o Quando o plano diretor contemplar as
exigências estabelecidas no caput, o Município ficará dispensado da elaboração
do projeto específico de que trata o caput deste artigo
§ 3o A aprovação de projetos de
parcelamento do solo no novo perímetro urbano ficará condicionada à existência
do projeto específico e deverá obedecer às suas disposições.
CAPÍTULO
IV
DA GESTÃO
DEMOCRÁTICA DA CIDADE
Art. 43.
Para garantir a gestão democrática da cidade, deverão ser utilizados, entre
outros, os seguintes instrumentos:
I –
órgãos colegiados de política urbana, nos níveis nacional, estadual e
municipal;
II –
debates, audiências e consultas públicas;
IV –
iniciativa popular de projeto de lei e de planos, programas e projetos de
desenvolvimento urbano;
Art. 44.
No âmbito municipal, a gestão orçamentária participativa de que trata a
alínea f do inciso III do art. 4o desta Lei
incluirá a realização de debates, audiências e consultas públicas sobre as
propostas do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e do
orçamento anual, como condição obrigatória para sua aprovação pela Câmara Municipal.
Art. 45.
Os organismos gestores das regiões metropolitanas e aglomerações urbanas
incluirão obrigatória e significativa participação da população e de
associações representativas dos vários segmentos da comunidade, de modo a
garantir o controle direto de suas atividades e o pleno exercício da cidadania.
CAPÍTULO
V
DISPOSIÇÕES
GERAIS
Art. 46.
O Poder Público municipal poderá facultar ao proprietário de área atingida
pela obrigação de que trata o caput do art. 5o desta Lei, a
requerimento deste, o estabelecimento de consórcio imobiliário como forma de
viabilização financeira do aproveitamento do imóvel.
§ 1o
Considera-se consórcio imobiliário a forma de viabilização de planos de
urbanização ou edificação por meio da qual o proprietário transfere ao Poder
Público municipal seu imóvel e, após a realização das obras, recebe, como
pagamento, unidades imobiliárias devidamente urbanizadas ou edificadas.
§ 2o
O valor das unidades imobiliárias a serem entregues ao proprietário será
correspondente ao valor do imóvel antes da execução das obras, observado o
disposto no § 2o do art. 8o desta Lei.
Art. 47.
Os tributos sobre imóveis urbanos, assim como as tarifas relativas a serviços
públicos urbanos, serão diferenciados em função do interesse social.
Art. 48.
Nos casos de programas e projetos habitacionais de interesse social,
desenvolvidos por órgãos ou entidades da Administração Pública com atuação
específica nessa área, os contratos de concessão de direito real de uso de
imóveis públicos:
I –
terão, para todos os fins de direito, caráter de escritura pública, não se
aplicando o disposto no inciso II do art. 134 do Código Civil;
II –
constituirão título de aceitação obrigatória em garantia de contratos de
financiamentos habitacionais.
Art. 49.
Os Estados e Municípios terão o prazo de noventa dias, a partir da entrada em
vigor desta Lei, para fixar prazos, por lei, para a expedição de diretrizes de
empreendimentos urbanísticos, aprovação de projetos de parcelamento e de
edificação, realização de vistorias e expedição de termo de verificação e
conclusão de obras.
Parágrafo
único. Não sendo cumprida a determinação do caput, fica estabelecido o prazo de
sessenta dias para a realização de cada um dos referidos atos administrativos,
que valerá até que os Estados e Municípios disponham em lei de forma diversa.
Art. 50. Os Municípios que estejam enquadrados na obrigação
prevista nos incisos I e II do caput do art. 41 desta Lei e que não
tenham plano diretor aprovado na data de entrada em vigor desta Lei deverão
aprová-lo até 30 de junho de 2008.
Art. 51.
Para os efeitos desta Lei, aplicam-se ao Distrito Federal e ao Governador do
Distrito Federal as disposições relativas, respectivamente, a Município e a
Prefeito.
Art. 52.
Sem prejuízo da punição de outros agentes públicos envolvidos e da aplicação de
outras sanções cabíveis, o Prefeito incorre em improbidade administrativa, nos
termos da Lei no
8.429, de 2 de junho de 1992, quando:
II –
deixar de proceder, no prazo de cinco anos, o adequado aproveitamento do imóvel
incorporado ao patrimônio público, conforme o disposto no § 4o
do art. 8o desta Lei;
III – utilizar
áreas obtidas por meio do direito de preempção em desacordo com o disposto no
art. 26 desta Lei;
IV –
aplicar os recursos auferidos com a outorga onerosa do direito de construir e
de alteração de uso em desacordo com o previsto no art. 31 desta Lei;
V –
aplicar os recursos auferidos com operações consorciadas em desacordo com o
previsto no § 1o do art. 33 desta Lei;
VI –
impedir ou deixar de garantir os requisitos contidos nos incisos I a III do § 4o
do art. 40 desta Lei;
VII –
deixar de tomar as providências necessárias para garantir a observância do
disposto no § 3o do art. 40 e no art. 50 desta
Lei;
VIII –
adquirir imóvel objeto de direito de preempção, nos termos dos arts. 25 a 27
desta Lei, pelo valor da proposta apresentada, se este for, comprovadamente,
superior ao de mercado.
Dispõe sobre a educação ambiental, institui a
Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências.
|
CAPÍTULO
I
DA
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Art. 1o Entendem-se por educação ambiental os processos por
meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais,
conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação
do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida
e sua sustentabilidade.
Art. 2o A educação ambiental é um componente essencial e
permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada,
em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e
não-formal.
Art. 3o Como parte do processo educativo mais amplo, todos
têm direito à educação ambiental, incumbindo:
I - ao Poder Público, nos termos dos arts. 205 e 225 da Constituição Federal,
definir políticas públicas que incorporem a dimensão ambiental, promover a
educação ambiental em todos os níveis de ensino e o engajamento da sociedade na
conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente;
II - às instituições educativas, promover a educação ambiental de maneira
integrada aos programas educacionais que desenvolvem;
III - aos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - Sisnama,
promover ações de educação ambiental integradas aos programas de conservação,
recuperação e melhoria do meio ambiente;
IV - aos meios de comunicação de massa, colaborar de maneira ativa e permanente
na disseminação de informações e práticas educativas sobre meio ambiente e
incorporar a dimensão ambiental em sua programação;
V - às empresas, entidades de classe, instituições públicas e privadas,
promover programas destinados à capacitação dos trabalhadores, visando à
melhoria e ao controle efetivo sobre o ambiente de trabalho, bem como sobre as
repercussões do processo produtivo no meio ambiente;
VI - à sociedade como um todo, manter atenção permanente à formação de valores,
atitudes e habilidades que propiciem a atuação individual e coletiva voltada
para a prevenção, a identificação e a solução de problemas ambientais.
Art. 4o São princípios básicos da educação ambiental:
I - o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo;
II - a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a
interdependência entre o meio natural, o sócio-econômico e o cultural, sob o
enfoque da sustentabilidade;
III - o pluralismo de idéias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter,
multi e transdisciplinaridade;
IV - a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais;
V - a garantia de continuidade e permanência do processo educativo;
VI - a permanente avaliação crítica do processo educativo;
VII - a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais,
nacionais e globais;
VIII - o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e
cultural.
Art. 5o São objetivos fundamentais da educação ambiental:
I - o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas
múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos,
legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos;
II - a garantia de democratização das informações ambientais;
III - o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a
problemática ambiental e social;
IV - o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e
responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a
defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da
cidadania;
V - o estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis micro
e macrorregionais, com vistas à construção de uma sociedade ambientalmente
equilibrada, fundada nos princípios da liberdade, igualdade, solidariedade,
democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade;
VI - o fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a tecnologia;
VII - o fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade
como fundamentos para o futuro da humanidade.
CAPÍTULO
II
DA
POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Seção I
Disposições
Gerais
Art. 6o É instituída a Política Nacional de Educação
Ambiental.
Art. 7o A Política Nacional de Educação Ambiental envolve em
sua esfera de ação, além dos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional
de Meio Ambiente - Sisnama, instituições educacionais públicas e privadas dos
sistemas de ensino, os órgãos públicos da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, e organizações não-governamentais com atuação em
educação ambiental.
Art. 8o As atividades vinculadas à Política Nacional de
Educação Ambiental devem ser desenvolvidas na educação em geral e na educação
escolar, por meio das seguintes linhas de atuação inter-relacionadas:
I - capacitação de recursos humanos;
II - desenvolvimento de estudos, pesquisas e experimentações;
III - produção e divulgação de material educativo;
IV - acompanhamento e avaliação.
§ 1o Nas atividades vinculadas à Política Nacional de
Educação Ambiental serão respeitados os princípios e objetivos fixados por esta
Lei.
§ 2o A capacitação de recursos humanos voltar-se-á para:
I - a incorporação da dimensão ambiental na formação, especialização e
atualização dos educadores de todos os níveis e modalidades de ensino;
II - a incorporação da dimensão ambiental na formação, especialização e
atualização dos profissionais de todas as áreas;
III - a preparação de profissionais orientados para as atividades de gestão
ambiental;
IV - a formação, especialização e atualização de profissionais na área de meio
ambiente;
V - o atendimento da demanda dos diversos segmentos da sociedade no que diz
respeito à problemática ambiental.
§ 3o As ações de estudos, pesquisas e experimentações
voltar-se-ão para:
I - o desenvolvimento de instrumentos e metodologias, visando à incorporação da
dimensão ambiental, de forma interdisciplinar, nos diferentes níveis e
modalidades de ensino;
II - a difusão de conhecimentos, tecnologias e informações sobre a questão
ambiental;
III - o desenvolvimento de instrumentos e metodologias, visando à participação
dos interessados na formulação e execução de pesquisas relacionadas à
problemática ambiental;
IV - a busca de alternativas curriculares e metodológicas de capacitação na
área ambiental;
V - o apoio a iniciativas e experiências locais e regionais, incluindo a
produção de material educativo;
VI - a montagem de uma rede de banco de dados e imagens, para apoio às ações
enumeradas nos incisos I a V.
Seção II
Da
Educação Ambiental no Ensino Formal
Art. 9o Entende-se por educação ambiental na educação escolar
a desenvolvida no âmbito dos currículos das instituições de ensino públicas e
privadas, englobando:
I - educação básica:
a) educação infantil;
b) ensino fundamental e
c) ensino médio;
II - educação superior;
III - educação especial;
IV - educação profissional;
V - educação de jovens e adultos.
Art. 10. A educação ambiental será desenvolvida como uma prática educativa
integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino
formal.
§ 1o A educação ambiental não deve ser implantada como
disciplina específica no currículo de ensino.
§ 2o Nos cursos de pós-graduação, extensão e nas áreas
voltadas ao aspecto metodológico da educação ambiental, quando se fizer
necessário, é facultada a criação de disciplina específica.
§ 3o Nos cursos de formação e especialização
técnico-profissional, em todos os níveis, deve ser incorporado conteúdo que
trate da ética ambiental das atividades profissionais a serem desenvolvidas.
Art. 11. A dimensão ambiental deve constar dos currículos de formação de
professores, em todos os níveis e em todas as disciplinas.
Parágrafo único. Os professores em atividade devem receber formação
complementar em suas áreas de atuação, com o propósito de atender adequadamente
ao cumprimento dos princípios e objetivos da Política Nacional de Educação
Ambiental.
Art. 12. A autorização e supervisão do funcionamento de instituições de ensino
e de seus cursos, nas redes pública e privada, observarão o cumprimento do
disposto nos arts. 10 e 11 desta Lei.
Seção III
Da
Educação Ambiental Não-Formal
Art. 13. Entendem-se por educação ambiental não-formal as ações e práticas
educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões
ambientais e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio
ambiente.
Parágrafo único. O Poder Público, em níveis federal, estadual e municipal,
incentivará:
I - a difusão, por intermédio dos meios de comunicação de massa, em espaços
nobres, de programas e campanhas educativas, e de informações acerca de temas
relacionados ao meio ambiente;
II - a ampla participação da escola, da universidade e de organizações
não-governamentais na formulação e execução de programas e atividades
vinculadas à educação ambiental não-formal;
III - a participação de empresas públicas e privadas no desenvolvimento de
programas de educação ambiental em parceria com a escola, a universidade e as
organizações não-governamentais;
IV - a sensibilização da sociedade para a importância das unidades de
conservação;
V - a sensibilização ambiental das populações tradicionais ligadas às unidades
de conservação;
VI - a sensibilização ambiental dos agricultores;
VII - o ecoturismo.
CAPÍTULO
III
DA
EXECUÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Art. 14. A coordenação da Política Nacional de
Educação Ambiental ficará a cargo de um órgão gestor, na forma definida pela
regulamentação desta Lei.
Art. 15. São atribuições do órgão gestor:
I - definição de diretrizes para implementação em âmbito nacional;
II - articulação, coordenação e supervisão de planos, programas e projetos na
área de educação ambiental, em âmbito nacional;
III - participação na negociação de financiamentos a planos, programas e
projetos na área de educação ambiental.
Art. 16. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, na esfera de sua
competência e nas áreas de sua jurisdição, definirão diretrizes, normas e
critérios para a educação ambiental, respeitados os princípios e objetivos da
Política Nacional de Educação Ambiental.
Art. 17. A eleição de planos e programas, para fins de alocação de recursos
públicos vinculados à Política Nacional de Educação Ambiental, deve ser
realizada levando-se em conta os seguintes critérios:
I - conformidade com os princípios, objetivos e diretrizes da Política Nacional
de Educação Ambiental;
II - prioridade dos órgãos integrantes do Sisnama e do Sistema Nacional de
Educação;
III - economicidade, medida pela relação entre a magnitude dos recursos a
alocar e o retorno social propiciado pelo plano ou programa proposto.
Parágrafo único. Na eleição a que se refere o caput deste artigo, devem
ser contemplados, de forma eqüitativa, os planos, programas e projetos das
diferentes regiões do País.
Art. 19. Os programas de assistência técnica e financeira relativos a meio
ambiente e educação, em níveis federal, estadual e municipal, devem alocar
recursos às ações de educação ambiental.
CAPÍTULO
IV
DISPOSIÇÕES
FINAIS
Art. 20. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de noventa dias de
sua publicação, ouvidos o Conselho Nacional de Meio Ambiente e o Conselho
Nacional de Educação.
Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Dispõe
sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação
e aplicação, e dá outras providências.
|
Art 1º -
Esta lei, com fundamento nos incisos VI e VII do art. 23 e no art. 235 da Constituição, estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente,
seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, constitui o Sistema Nacional
do Meio Ambiente (Sisnama) e institui o Cadastro de Defesa Ambiental.
DA POLÍTICA NACIONAL DO
MEIO AMBIENTE
Art. 2º.
A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e
recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País,
condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança
nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes
princípios:
I - ação
governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio
ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e
protegido, tendo em vista o uso coletivo;
II -
racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar;
III -
planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais;
IV -
proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas;
V - controle
e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras;
VI -
incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional
e a proteção dos recursos ambientais;
VII -
acompanhamento do estado da qualidade ambiental;
VIII -
recuperação de áreas degradadas;
IX -
proteção de áreas ameaçadas de degradação;
X -
educação ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da
comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio
ambiente.
Art. 3º
- Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:
I - meio
ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem
física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas
formas;
II -
degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características do
meio ambiente;
III -
poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que
direta ou indiretamente:
a)
prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
b) criem
condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c)
afetem desfavoravelmente a biota;
d)
afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;
e)
lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais
estabelecidos;
IV -
poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado,
responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação
ambiental;
V - recursos ambientais: a atmosfera, as águas
interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o
solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora.
DOS OBJETIVOS DA
POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE
Art. 4º
- A Política Nacional do Meio Ambiente visará:
I - à
compatibilização do desenvolvimento econômico social com a preservação da
qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico;
II - à
definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade e ao
equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da União, dos Estados, do
Distrito Federal, do Territórios e dos Municípios;
III - ao
estabelecimento de critérios e padrões da qualidade ambiental e de normas
relativas ao uso e manejo de recursos ambientais;
IV - ao
desenvolvimento de pesquisas e de tecnologia s nacionais orientadas para o uso
racional de recursos ambientais;
V - à
difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, à divulgação de dados e informações
ambientais e à formação de uma consciência pública sobre a necessidade de
preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico;
VI - à
preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas á sua utilização
racional e disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do
equilíbrio ecológico propício à vida;
VII - à
imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar
os danos causados, e ao usuário, de contribuição pela utilização de recursos
ambientais com fins econômicos.
Art. 5º - As diretrizes da Política Nacional do Meio Ambiente
serão formuladas em normas e planos, destinados a orientar a ação dos Governos
da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios no
que se relaciona com a preservação da qualidade ambiental e manutenção do
equilíbrio ecológico, observados os princípios estabelecidos no art. 2º desta
Lei.
Parágrafo único. As atividades empresariais públicas ou privadas serão exercidas
em consonância com as diretrizes da Política Nacional do Meio Ambiente.
DO SISTEMA NACIONAL DO
MEIO AMBIENTE
Art. 6º
Os órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Territórios e dos Municípios, bem como as fundações instituídas pelo Poder
Público, responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental,
constituirão o Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, assim estruturado:
I -
órgão superior: o Conselho de Governo, com a função de assessorar o Presidente
da República na formulação da política nacional e nas diretrizes governamentais
para o meio ambiente e os recursos ambientais;
II -
órgão consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA),
com a finalidade de assessorar, estudar e propor ao Conselho de Governo,
diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos
naturais e deliberar, no âmbito de sua competência, sobre normas e padrões
compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia
qualidade de vida;
III -
órgão central: a Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, com a
finalidade de planejar, coordenar, supervisionar e controlar, como órgão
federal, a política nacional e as diretrizes governamentais fixadas para o meio
ambiente;
IV -
órgão executor: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis, com a finalidade de executar e fazer executar, como órgão federal,
a política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente;
V -
Órgãos Seccionais: os órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução
de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de
provocar a degradação ambiental;
VI -
Órgãos Locais: os órgãos ou entidades municipais, responsáveis pelo controle e
fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições;
§ 1º -
Os Estados, na esfera de suas competências e nas áreas de sua jurisdição,
elaborarão normas supletivas e complementares e padrões relacionados com o meio
ambiente, observados os que forem estabelecidos pelo CONAMA.
§ 2º O s
Municípios, observadas as normas e os padrões federais e estaduais, também
poderão elaborar as normas mencionadas no parágrafo anterior.
§ 3º Os
órgãos central, setoriais, seccionais e locais mencionados neste artigo deverão
fornecer os resultados das análises efetuadas e sua fundamentação, quando
solicitados por pessoa legitimamente interessada.
§ 4º De
acordo com a legislação em vigor, é o Poder Executivo autorizado a criar uma
Fundação de apoio técnico científico às atividades do IBAMA.
DO CONSELHO NACIONAL DO
MEIO AMBIENTE
Art.
8º Compete ao CONAMA:
I -
estabelecer, mediante proposta do IBAMA, normas e critérios para o
licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras, a ser
concedido pelos Estados e supervisionado pelo IBAMA;
II -
determinar, quando julgar necessário, a realização de estudos das alternativas
e das possíveis conseqüências ambientais de projetos públicos ou privados,
requisitando aos órgãos federais, estaduais e municipais, bem assim a entidades
privadas, as informações indispensáveis para apreciação dos estudos de impacto
ambiental, e respectivos relatórios, no caso de obras ou atividades de
significativa degradação ambiental, especialmente nas áreas consideradas
patrimônio nacional.
V -
determinar, mediante representação do IBAMA, a perda ou restrição de benefícios
fiscais concedidos pelo Poder Público, em caráter geral ou condicional, e a
perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento em
estabelecimentos oficiais de crédito;
VI -
estabelecer, privativamente, normas e padrões nacionais de controle da poluição
por veículos automotores, aeronaves e embarcações, mediante audiência dos
Ministérios competentes;
VII -
estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle e à manutenção da
qualidade do meio ambiente com vistas ao uso racional dos recursos ambientais,
principalmente os hídricos.
Parágrafo único. O Secretário do Meio Ambiente é, sem prejuízo de suas funções,
o Presidente do Conama
DOS INSTRUMENTOS DA
POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE
Art. 9º
- São Instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente:
I - o
estabelecimento de padrões de qualidade ambiental;
II - o
zoneamento ambiental;
III - a
avaliação de impactos ambientais;
IV - o
licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras;
V - os
incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de
tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental;
VI - a
criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público
federal, estadual e municipal, tais como áreas de proteção ambiental, de
relevante interesse ecológico e reservas extrativistas;
VII - o
sistema nacional de informações sobre o meio ambiente;
VIII - o
Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumento de Defesa Ambiental;
IX - as
penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumprimento das medidas
necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental.
X - a
instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado
anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais
Renováveis - IBAMA; XI - a
garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente, obrigando-se o
Poder Público a produzi-las, quando inexistentes;
XII - o
Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ou
utilizadoras dos recursos ambientais.
XIII -
instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão ambiental, seguro
ambiental e outros.
Art. 9o-A.
O proprietário ou possuidor de imóvel, pessoa natural ou jurídica, pode, por
instrumento público ou particular ou por termo administrativo firmado perante
órgão integrante do Sisnama, limitar o uso de toda a sua propriedade ou de
parte dela para preservar, conservar ou recuperar os recursos ambientais
existentes, instituindo servidão ambiental.
§ 1o O instrumento ou termo de
instituição da servidão ambiental deve incluir, no mínimo, os seguintes
itens:
I - memorial descritivo da área da servidão
ambiental, contendo pelo menos um ponto de amarração georreferenciado;
II - objeto da servidão ambiental;
III - direitos e deveres do proprietário ou
possuidor instituidor; IV - prazo durante o qual a área permanecerá como
servidão ambiental.
§ 2o A servidão ambiental não se
aplica às Áreas de Preservação Permanente e à Reserva Legal mínima
exigida.
§ 3o A restrição ao uso ou à
exploração da vegetação da área sob servidão ambiental deve ser, no mínimo, a
mesma estabelecida para a Reserva Legal.
§ 4o Devem ser objeto de averbação
na matrícula do imóvel no registro de imóveis competente:
I - o instrumento ou termo de instituição da
servidão ambiental;
II - o contrato de alienação, cessão ou
transferência da servidão ambiental. § 5o Na hipótese de
compensação de Reserva Legal, a servidão ambiental deve ser averbada na
matrícula de todos os imóveis envolvidos.
§ 6o É vedada, durante o prazo de
vigência da servidão ambiental, a alteração da destinação da área, nos casos de
transmissão do imóvel a qualquer título, de desmembramento ou de retificação
dos limites do imóvel.
§ 7o As áreas que tenham sido
instituídas na forma de servidão florestal, nos termos do art. 44-A da Lei no
4.771, de 15 de setembro de 1965, passam a ser consideradas, pelo efeito desta
Lei, como de servidão ambiental.
Art. 9o-B. A servidão ambiental
poderá ser onerosa ou gratuita, temporária ou perpétua.
§ 1o O prazo mínimo da servidão
ambiental temporária é de 15 (quinze) anos.
§ 2o A servidão ambiental perpétua
equivale, para fins creditícios, tributários e de acesso aos recursos de fundos
públicos, à Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, definida no art.
21 da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000.
§ 3o O detentor da servidão
ambiental poderá aliená-la, cedê-la ou transferi-la, total ou parcialmente, por
prazo determinado ou em caráter definitivo, em favor de outro proprietário ou
de entidade pública ou privada que tenha a conservação ambiental como fim
social. Art. 9o-C. O contrato de alienação, cessão ou
transferência da servidão ambiental deve ser averbado na matrícula do imóvel.
§ 1o O contrato referido no caput
deve conter, no mínimo, os seguintes itens:
I - a delimitação da área submetida a preservação,
conservação ou recuperação ambiental;
II - o objeto da servidão ambiental;
III - os direitos e deveres do proprietário
instituidor e dos futuros adquirentes ou sucessores;
IV - os direitos e deveres do detentor da servidão
ambiental;
V - os
benefícios de ordem econômica do instituidor e do detentor da servidão ambiental;
VI - a previsão legal para garantir o seu
cumprimento, inclusive medidas judiciais necessárias, em caso de ser
descumprido.
§ 2o São deveres do proprietário
do imóvel serviente, entre outras obrigações estipuladas no contrato:
I - manter a área sob servidão ambiental;
II - prestar contas ao detentor da servidão
ambiental sobre as condições dos recursos naturais ou artificiais;
III - permitir a inspeção e a fiscalização da área
pelo detentor da servidão ambiental;
IV -
defender a posse da área serviente, por todos os meios em direito
admitidos.
§ 3o São deveres do detentor da
servidão ambiental, entre outras obrigações estipuladas no contrato:
I - documentar as características ambientais da
propriedade;
II - monitorar periodicamente a propriedade para
verificar se a servidão ambiental está sendo mantida;
III - prestar informações necessárias a quaisquer
interessados na aquisição ou aos sucessores da propriedade;
IV - manter relatórios e arquivos atualizados com
as atividades da área objeto da servidão;
V - defender judicialmente a servidão ambiental.
Art. 10. A construção, instalação, ampliação
e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadores de recursos
ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer
forma, de causar degradação ambiental dependerão de prévio licenciamento
ambiental.
§ 1o Os pedidos de licenciamento,
sua renovação e a respectiva concessão serão publicados no jornal oficial, bem
como em periódico regional ou local de grande circulação, ou em meio eletrônico
de comunicação mantido pelo órgão ambiental
competente.
Art. 11.
Compete ao IBAMA propor ao CONAMA normas e padrões para implantação,
acompanhamento e fiscalização do licenciamento previsto no artigo anterior,
além das que forem oriundas do próprio CONAMA.
§ 2º
Inclui-se na competência da fiscalização e controle a análise de projetos de
entidades, públicas ou privadas, objetivando a preservação ou a recuperação de
recursos ambientais, afetados por processos de exploração predatórios ou
poluidores.
Art. 12.
As entidades e órgãos de financiamento e incentivos governamentais
condicionarão a aprovação de projetos habilitados a esses benefícios ao
licenciamento, na forma desta Lei, e ao cumprimento das normas, dos critérios e
dos padrões expedidos pelo CONAMA.
Parágrafo único. As entidades e órgãos referidos no caput deste artigo deverão
fazer constar dos projetos a realização de obras e aquisição de equipamentos
destinados ao controle de degradação ambiental e a melhoria da qualidade do
meio ambiente.
Art. 13.
O Poder Executivo incentivará as atividades voltadas ao meio ambiente, visando:
I - ao
desenvolvimento, no País, de pesquisas e processos tecnológicos destinados a
reduzir a degradação da qualidade ambiental;
II - à
fabricação de equipamentos antipoluidores;
III - a
outras iniciativas que propiciem a racionalização do uso de recursos
ambientais.
Parágrafo único. Os órgãos, entidades e programas do Poder Público, destinados
ao incentivo das pesquisas científicas e tecnológicas, considerarão, entre as
suas metas prioritárias, o apoio aos projetos que visem a adquirir e
desenvolver conhecimentos básicos e aplicáveis na área ambiental e ecológica.
Art. 14
- Sem prejuízo das penalidades definidas pela legislação federal, estadual e
municipal, o não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção
dos inconvenientes e danos causados pela degradação da qualidade ambiental
sujeitará os transgressores:
I - à
multa simples ou diária, nos valores correspondentes, no mínimo, a 10 (dez) e,
no máximo, a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTNs,
agravada em casos de reincidência específica, conforme dispuser o regulamento,
vedada a sua cobrança pela União se já tiver sido aplicada pelo Estado,
Distrito Federal, Territórios ou pelos Municípios;
II - à
perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais concedidos pelo Poder
Público;
III - à
perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento em
estabelecimentos oficiais de crédito;
IV - à
suspensão de sua atividade.
§ 1º Sem
obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor
obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os
danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O
Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de
responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente.
§ 2º No
caso de omissão da autoridade estadual ou municipal, caberá ao Secretário do
Meio Ambiente a aplicação das penalidades pecuniárias prevista neste artigo.
§ 3º Nos
casos previstos nos incisos II e III deste artigo, o ato declaratório da perda,
restrição ou suspensão será atribuição da autoridade administrativa ou
financeira que concedeu os benefícios, incentivos ou financiamento, cumprimento
resolução do CONAMA.
§ 5o
A execução das garantias exigidas do poluidor não impede a aplicação das
obrigações de indenização e reparação de danos previstas no § 1o
deste artigo.
Art. 15.
O poluidor que expuser a perigo a incolumidade humana, animal ou vegetal, ou
estiver tornando mais grave situação de perigo existente, fica sujeito à pena
de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos e multa de 100 (cem) a 1.000 (mil) MVR.
§ 1º A pena e aumentada até o dobro se:
I -
resultar:
a) dano
irreversível à fauna, à flora e ao meio ambiente;
b) lesão
corporal grave;
II - a
poluição é decorrente de atividade industrial ou de
transporte;
III - o crime é praticado durante a noite, em domingo ou em feriado.
§ 2º
Incorre no mesmo crime a autoridade competente que deixar de promover as
medidas tendentes a impedir a prática das condutas acima descritas.
Art. 17. Fica instituído,
sob a administração do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos
Naturais Renováveis - IBAMA:
I - Cadastro Técnico
Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental, para registro
obrigatório de pessoas físicas ou jurídicas que se dedicam a consultoria
técnica sobre problemas ecológicos e ambientais e à indústria e comércio de
equipamentos, aparelhos e instrumentos destinados ao controle de atividades
efetiva ou potencialmente poluidoras;
II -
Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou
Utilizadoras de Recursos Ambientais, para registro obrigatório de pessoas
físicas ou jurídicas que se dedicam a atividades potencialmente poluidoras e/ou
à extração, produção, transporte e comercialização de produtos potencialmente
perigosos ao meio ambiente, assim como de produtos e subprodutos da fauna e
flora.
Art. 17-A. São
estabelecidos os preços dos serviços e produtos do Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama, a serem aplicados em
âmbito nacional, conforme Anexo a esta Lei.
Art. 17-B. Fica
instituída a Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental – TCFA, cujo fato
gerador é o exercício regular do poder de polícia conferido ao Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama para
controle e fiscalização das atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras
de recursos naturais."
Art. 17-C. É sujeito
passivo da TCFA todo aquele que exerça as atividades constantes do Anexo VIII
desta Lei.
§ 1o
O sujeito passivo da TCFA é obrigado a entregar até o dia 31 de março de cada
ano relatório das atividades exercidas no ano anterior, cujo modelo será
definido pelo Ibama, para o fim de colaborar com os procedimentos de controle e
fiscalização.
§ 2o
O descumprimento da providência determinada no § 1o sujeita o
infrator a multa equivalente a vinte por cento da TCFA devida, sem prejuízo da
exigência desta.
Art. 17-D. A TCFA é
devida por estabelecimento e os seus valores são os fixados no Anexo IX desta
Lei.”
§ 1o
Para os fins desta Lei, consideram-se:
I – microempresa e
empresa de pequeno porte, as pessoas jurídicas que se enquadrem,
respectivamente, nas descrições dos incisos I e II do caput do art. 2o
da Lei no 9.841, de 5 de outubro de 1999;
II – empresa de
médio porte, a pessoa jurídica que tiver receita bruta anual superior a R$
1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) e igual ou inferior a R$
12.000.000,00 (doze milhões de reais);
III – empresa de
grande porte, a pessoa jurídica que tiver receita bruta anual superior a R$
12.000.000,00 (doze milhões de reais).
§ 2o O
potencial de poluição (PP) e o grau de utilização (GU) de recursos naturais de
cada uma das atividades sujeitas à fiscalização encontram-se definidos no Anexo
VIII desta Lei.
§ 3o
Caso o estabelecimento exerça mais de uma atividade sujeita à fiscalização,
pagará a taxa relativamente a apenas uma delas, pelo valor mais elevado.
Art. 17-E. É o
Ibama autorizado a cancelar débitos de valores inferiores a R$ 40,00 (quarenta
reais), existentes até 31 de dezembro de 1999.
Art. 17-F. São isentas
do pagamento da TCFA as entidades públicas federais, distritais, estaduais e
municipais, as entidades filantrópicas, aqueles que praticam agricultura de
subsistência e as populações tradicionais.
Art. 17-G. A TCFA será
devida no último dia útil de cada trimestre do ano civil, nos valores fixados
no Anexo IX desta Lei, e o recolhimento será efetuado em conta bancária
vinculada ao Ibama, por intermédio de documento próprio de arrecadação, até o
quinto dia útil do mês subseqüente. Parágrafo
único. Revogado.
§ 2o
Os recursos arrecadados com a TCFA terão utilização restrita em atividades de
controle e fiscalização ambiental.
Art. 17-H. A TCFA não
recolhida nos prazos e nas condições estabelecidas no artigo anterior será cobrada
com os seguintes acréscimos:
I – juros de
mora, na via administrativa ou judicial, contados do mês seguinte ao do
vencimento, à razão de um por cento;
II – multa de
mora de vinte por cento, reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado
até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento
III – encargo
de vinte por cento, substitutivo da condenação do devedor em honorários de
advogado, calculado sobre o total do débito inscrito como Dívida Ativa,
reduzido para dez por cento se o pagamento for efetuado antes do ajuizamento da
execução.
§ 1o-A.
Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora.
§ 1o
Os débitos relativos à TCFA poderão ser parcelados de acordo com os critérios
fixados na legislação tributária, conforme dispuser o regulamento desta Lei.
Art. 17-I. As pessoas
físicas e jurídicas que exerçam as atividades mencionadas nos incisos I e II do
art. 17 e que não estiverem inscritas nos respectivos cadastros até o último
dia útil do terceiro mês que se seguir ao da publicação desta Lei incorrerão em
infração punível com multa de:
I – R$
50,00 (cinqüenta reais), se pessoa física;
II – R$
150,00 (cento e cinqüenta reais), se microempresa;
III – R$
900,00 (novecentos reais), se empresa de pequeno porte;
IV – R$
1.800,00 (mil e oitocentos reais), se empresa de médio porte;
V – R$
9.000,00 (nove mil reais) se empresa de grande porte
Art.
17-L. As ações de licenciamento, registro, autorizações, concessões e
permissões relacionadas à fauna, à flora, e ao controle ambiental são de
competência exclusiva dos órgãos integrantes do Sistema Nacional do Meio
Ambiente.
Art.
17-M. Os preços dos serviços administrativos prestados pelo Ibama, inclusive os
referentes à venda de impressos e publicações, assim como os de entrada,
permanência e utilização de áreas ou instalações nas unidades de conservação,
serão definidos em portaria do Ministro de Estado do Meio Ambiente, mediante
proposta do Presidente daquele Instituto.
Art.
17-N. Os preços dos serviços técnicos do Laboratório de Produtos Florestais do
Ibama, assim como os para venda de produtos da flora, serão, também, definidos
em portaria do Ministro de Estado do Meio Ambiente, mediante proposta do
Presidente daquele Instituto.
Art. 17-O. Os
proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre
a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental -
ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII
da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de
Vistoria.
§ 1o-A. A Taxa de Vistoria a que se
refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor
da redução do imposto proporcionada pelo ADA.
§ 1o A utilização do ADA para efeito de
redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.
§ 2o O pagamento de que trata o caput
deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos
moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento
próprio de arrecadação do Ibama.
§ 3o Para efeito de pagamento parcelado,
nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais).
§ 4o O inadimplemento de qualquer
parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput
e §§ 1o-A e 1o, todos do art. 17-H desta Lei.
§ 5o Após a vistoria, realizada por amostragem,
caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados
pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados
reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as
providências cabíveis.
Art.
17-P. Constitui crédito para compensação com o valor devido a título de TCFA,
até o limite de sessenta por cento e relativamente ao mesmo ano, o montante
efetivamente pago pelo estabelecimento ao Estado, ao Município e ao Distrito
Federal em razão de taxa de fiscalização ambiental.(
§ 1o
Valores recolhidos ao Estado, ao Município e ao Distrital Federal a qualquer
outro título, tais como taxas ou preços públicos de licenciamento e venda de
produtos, não constituem crédito para compensação com a TCFA.
§ 2o
A restituição, administrativa ou judicial, qualquer que seja a causa que a
determine, da taxa de fiscalização ambiental estadual ou distrital compensada
com a TCFA restaura o direito de crédito do Ibama contra o estabelecimento,
relativamente ao valor compensado.
Art.
17-Q. É o Ibama autorizado a celebrar convênios com os Estados, os Municípios e
o Distrito Federal para desempenharem atividades de fiscalização ambiental,
podendo repassar-lhes parcela da receita obtida com a TCFA."
Art. 19.
Ressalvado o disposto nas Leis nºs 5.357, de 17 de novembro de 1967, e 7.661,
de 16 de maio de 1988, a receita proveniente da aplicação desta Lei será
recolhida de acordo com o disposto no art. 4º da Lei nº 7.735, de 22 de
fevereiro de 1989.
Art. 20.
Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.
Art. 21.
Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília, 31 de agosto de 1981; 160º da
Independência e 93º da República.
JOÃO FIGUEIREDO
Mário Andreazza
Dispõe sobre as sanções penais e administrativas
derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras
providências.
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CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos
nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade,
bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o
auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo
da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia
agir para evitá-la.
Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e
penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja
cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão
colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das
pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato.
Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua
personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade
do meio ambiente.
CAPÍTULO II
DA APLICAÇÃO DA PENA
Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente
observará:
I - a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas
conseqüências para a saúde pública e para o meio ambiente;
II - os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de
interesse ambiental;
III - a situação econômica do infrator, no caso de multa.
Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as
privativas de liberdade quando:
I - tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade
inferior a quatro anos;
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do
condenado, bem como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a
substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime.
Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo
terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída.
Art. 8º As penas restritivas de direito são:
I - prestação de serviços à comunidade;
II - interdição temporária de direitos;
III - suspensão parcial ou total de atividades;
IV - prestação pecuniária;
V - recolhimento domiciliar.
Art. 9º A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição ao
condenado de tarefas gratuitas junto a parques e jardins públicos e unidades de
conservação, e, no caso de dano da coisa particular, pública ou tombada, na
restauração desta, se possível.
Art. 10. As penas de interdição temporária de direito são a proibição de o
condenado contratar com o Poder Público, de receber incentivos fiscais ou
quaisquer outros benefícios, bem como de participar de licitações, pelo prazo
de cinco anos, no caso de crimes dolosos, e de três anos, no de crimes
culposos.
Art.
11. A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem
obedecendo às prescrições legais.
Art. 12. A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à
entidade pública ou privada com fim social, de importância, fixada pelo juiz,
não inferior a um salário mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários
mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual reparação civil a
que for condenado o infrator.
Art. 13. O recolhimento domiciliar baseia-se na autodisciplina e senso de
responsabilidade do condenado, que deverá, sem vigilância, trabalhar,
freqüentar curso ou exercer atividade autorizada, permanecendo recolhido nos
dias e horários de folga em residência ou em qualquer local destinado a sua
moradia habitual, conforme estabelecido na sentença condenatória.
I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;
II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano,
ou limitação significativa da degradação ambiental causada;
III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação
ambiental;
IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle
ambiental.
I - reincidência nos crimes de natureza ambiental;
II - ter o agente cometido a infração:
a) para obter vantagem pecuniária;
b) coagindo outrem para a execução material da infração;
c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio
ambiente;
d) concorrendo para danos à propriedade alheia;
e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do
Poder Público, a regime especial de uso;
f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos;
g) em período de defeso à fauna;
h) em domingos ou feriados;
i) à noite;
j) em épocas de seca ou inundações;
l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;
m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;
n) mediante fraude ou abuso de confiança;
o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;
p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas
públicas ou beneficiada por incentivos fiscais;
q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das
autoridades competentes;
r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.
Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da pena pode
ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de liberdade não superior
a três anos.
Art. 17. A verificação da reparação a que se refere o § 2º do art. 78 do Código
Penal será feita mediante laudo de reparação do dano ambiental, e as condições
a serem impostas pelo juiz deverão relacionar-se com a proteção ao meio
ambiente.
Art. 18. A multa será calculada segundo os critérios do Código Penal; se
revelar-se ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada
até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida.
Art. 19. A perícia de constatação do dano ambiental, sempre que possível,
fixará o montante do prejuízo causado para efeitos de prestação de fiança e
cálculo de multa.
Parágrafo único. A perícia produzida no inquérito civil ou no juízo cível
poderá ser aproveitada no processo penal, instaurando-se o contraditório.
Art. 20. A sentença penal condenatória, sempre que possível, fixará o valor
mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os
prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo meio ambiente.
Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução
poderá efetuar-se pelo valor fixado nos termos do caput, sem prejuízo da
liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido.
Art. 21. As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às pessoas
jurídicas, de acordo com o disposto no art. 3º, são:
I - multa;
II - restritivas de direitos;
III - prestação de serviços à comunidade.
Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são:
I - suspensão parcial ou total de atividades;
II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade;
III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios,
subvenções ou doações.
§ 1º A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem
obedecendo às disposições legais ou regulamentares, relativas à proteção do
meio ambiente.
§ 2º A interdição será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade
estiver funcionando sem a devida autorização, ou em desacordo com a concedida,
ou com violação de disposição legal ou regulamentar.
§ 3º A proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios,
subvenções ou doações não poderá exceder o prazo de dez anos.
Art. 23. A prestação de serviços à comunidade pela pessoa jurídica consistirá
em:
I - custeio de programas e de projetos ambientais;
II - execução de obras de recuperação de áreas degradadas;
III - manutenção de espaços públicos;
IV - contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas.
Art. 24. A pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o
fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime definido nesta Lei
terá decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio será considerado
instrumento do crime e como tal perdido em favor do Fundo Penitenciário
Nacional.
CAPÍTULO III
DA APREENSÃO DO PRODUTO E DO INSTRUMENTO DE
INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA OU DE CRIME
Art. 25. Verificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos,
lavrando-se os respectivos autos.
§ 1º Os animais serão libertados em seu habitat ou entregues a jardins
zoológicos, fundações ou entidades assemelhadas, desde que fiquem sob a
responsabilidade de técnicos habilitados.
§ 2º Tratando-se de produtos perecíveis ou
madeiras, serão estes avaliados e doados a instituições científicas,
hospitalares, penais e outras com fins beneficentes.
§ 3° Os produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou
doados a instituições científicas, culturais ou educacionais.
§ 4º Os instrumentos utilizados na prática da infração serão vendidos,
garantida a sua descaracterização por meio da reciclagem.
CAPÍTULO IV
DA AÇÃO E DO PROCESSO PENAL
Art. 26. Nas infrações penais previstas nesta Lei, a ação penal é pública
incondicionada.
Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de
aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76
da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995,
somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano
ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de comprovada
impossibilidade.
Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995,
aplicam-se aos crimes de menor potencial ofensivo definidos nesta Lei, com as
seguintes modificações:
I - a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5° do artigo
referido no caput, dependerá de laudo de constatação de reparação do
dano ambiental, ressalvada a impossibilidade prevista no inciso I do § 1° do
mesmo artigo;
II - na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a
reparação, o prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o período
máximo previsto no artigo referido no caput, acrescido de mais um ano,
com suspensão do prazo da prescrição;
III - no período de prorrogação, não se aplicarão as condições dos incisos II,
III e IV do § 1° do artigo mencionado no caput;
IV - findo o prazo de prorrogação, proceder-se-á à lavratura de novo laudo de
constatação de reparação do dano ambiental, podendo, conforme seu resultado,
ser novamente prorrogado o período de suspensão, até o máximo previsto no
inciso II deste artigo, observado o disposto no inciso III;
V - esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de extinção de
punibilidade dependerá de laudo de constatação que comprove ter o acusado
tomado as providências necessárias à reparação integral do dano.
CAPÍTULO V
DOS CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE
Seção I
Dos Crimes contra a Fauna
Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna
silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou
autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida:
Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas:
I - quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em desacordo
com a obtida;
II - quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural;
III - quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro
ou depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna
silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como produtos e objetos dela
oriundos, provenientes de criadouros não autorizados ou sem a devida permissão,
licença ou autorização da autoridade competente.
§ 2º No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não
considerada ameaçada de extinção, pode o juiz, considerando as circunstâncias,
deixar de aplicar a pena.
§ 3° São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies
nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham
todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território
brasileiro, ou águas jurisdicionais brasileiras.
§ 4º A pena é aumentada de metade, se o crime é praticado:
I - contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda que somente no
local da infração;
II - em período proibido à caça;
III - durante a noite;
IV - com abuso de licença;
V - em unidade de conservação;
VI - com emprego de métodos ou instrumentos capazes de provocar destruição em
massa.
§ 5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime decorre do exercício de caça
profissional.
§ 6º As disposições deste artigo não se aplicam aos atos de pesca.
Art. 30. Exportar para o exterior peles e couros de anfíbios e répteis em
bruto, sem a autorização da autoridade ambiental competente:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Art. 31. Introduzir espécime animal no País, sem parecer técnico oficial
favorável e licença expedida por autoridade competente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais
silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em
animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem
recursos alternativos.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.
Art. 33. Provocar, pela emissão de efluentes ou carreamento de materiais, o
perecimento de espécimes da fauna aquática existentes em rios, lagos, açudes,
lagoas, baías ou águas jurisdicionais brasileiras:
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas cumulativamente.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas:
I - quem causa degradação em viveiros, açudes ou estações de aqüicultura de
domínio público;
II - quem explora campos naturais de invertebrados aquáticos e algas, sem
licença, permissão ou autorização da autoridade competente;
III - quem fundeia embarcações ou lança detritos de qualquer natureza sobre
bancos de moluscos ou corais, devidamente demarcados em carta náutica.
Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares
interditados por órgão competente:
Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas
cumulativamente.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem:
I - pesca espécies que devam ser preservadas ou espécimes com tamanhos
inferiores aos permitidos;
II - pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização de
aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos;
III - transporta, comercializa, beneficia ou industrializa espécimes
provenientes da coleta, apanha e pesca proibidas.
Art. 35. Pescar mediante a utilização de:
I - explosivos ou substâncias que, em contato com a água, produzam efeito
semelhante;
II - substâncias tóxicas, ou outro meio proibido pela autoridade competente:
Pena - reclusão de um ano a cinco anos.
Art. 36. Para os efeitos desta Lei, considera-se pesca todo ato tendente a
retirar, extrair, coletar, apanhar, apreender ou capturar espécimes dos grupos
dos peixes, crustáceos, moluscos e vegetais hidróbios, suscetíveis ou não de
aproveitamento econômico, ressalvadas as espécies ameaçadas de extinção,
constantes nas listas oficiais da fauna e da flora.
Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado:
I - em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família;
II - para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou
destruidora de animais, desde que legal e expressamente autorizado pela
autoridade competente;
IV - por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão
competente.
Seção II
Dos Crimes contra a
Flora
Art. 38. Destruir ou danificar floresta considerada de
preservação permanente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência
das normas de proteção:
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas
cumulativamente.
Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.
Art. 38-A. Destruir ou danificar vegetação primária ou
secundária, em estágio avançado ou médio de regeneração, do Bioma Mata
Atlântica, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, ou multa, ou ambas as penas
cumulativamente.
Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.
Art. 39. Cortar árvores em floresta considerada de
preservação permanente, sem permissão da autoridade competente:
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas
cumulativamente.
Art. 40. Causar dano direto ou indireto às Unidades de Conservação e às áreas
de que trata o art. 27 do Decreto nº 99.274, de 6 de junho de 1990,
independentemente de sua localização:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 1o Entende-se por Unidades de Conservação de Proteção
Integral as Estações Ecológicas, as Reservas Biológicas, os Parques Nacionais,
os Monumentos Naturais e os Refúgios de Vida Silvestre.
§ 2o A ocorrência de dano afetando espécies ameaçadas de extinção
no interior das Unidades de Conservação de Proteção Integral será considerada
circunstância agravante para a fixação da pena.
§ 3º Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.
§ 1o Entende-se por Unidades de Conservação de Uso
Sustentável as Áreas de Proteção Ambiental, as Áreas de Relevante Interesse
Ecológico, as Florestas Nacionais, as Reservas Extrativistas, as Reservas de
Fauna, as Reservas de Desenvolvimento Sustentável e as Reservas Particulares do
Patrimônio Natural.
§ 2o A ocorrência de dano afetando espécies ameaçadas de
extinção no interior das Unidades de Conservação de Uso Sustentável será
considerada circunstância agravante para a fixação da pena.
§ 3o Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.
Art. 41. Provocar incêndio em mata ou floresta:
Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa.
Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de detenção de seis meses a um
ano, e multa.
Art. 42. Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar
incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou
qualquer tipo de assentamento humano:
Pena - detenção de um a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
Art. 44. Extrair de florestas de domínio público ou consideradas de preservação
permanente, sem prévia autorização, pedra, areia, cal ou qualquer espécie de
minerais:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Art. 45. Cortar ou transformar em carvão madeira de lei, assim classificada por
ato do Poder Público, para fins industriais, energéticos ou para qualquer outra
exploração, econômica ou não, em desacordo com as determinações legais:
Pena - reclusão, de um a dois anos, e multa.
Art. 46. Receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais, madeira,
lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem exigir a exibição de
licença do vendedor, outorgada pela autoridade competente, e sem munir-se da
via que deverá acompanhar o produto até final beneficiamento:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, tem em
depósito, transporta ou guarda madeira, lenha, carvão e outros produtos de
origem vegetal, sem licença válida para todo o tempo da viagem ou do
armazenamento, outorgada pela autoridade competente.
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Art. 49. Destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio,
plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada
alheia:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, ou ambas as penas
cumulativamente.
Parágrafo único. No crime culposo, a pena é de um a seis meses, ou multa.
Art. 50. Destruir ou danificar florestas nativas ou plantadas ou vegetação
fixadora de dunas, protetora de mangues, objeto de especial preservação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Art. 50-A. Desmatar, explorar economicamente ou degradar
floresta, plantada ou nativa, em terras de domínio público ou devolutas, sem
autorização do órgão competente:
Pena - reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa.
§ 1o Não é crime a conduta praticada quando necessária à
subsistência imediata pessoal do agente ou de sua família.
§ 2o Se a área explorada for superior a 1.000 ha (mil
hectares), a pena será aumentada de 1 (um) ano por milhar de hectare.
Art. 51. Comercializar motosserra ou utilizá-la em florestas e nas demais
formas de vegetação, sem licença ou registro da autoridade competente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Art. 52. Penetrar em Unidades de Conservação conduzindo substâncias ou
instrumentos próprios para caça ou para exploração de produtos ou subprodutos
florestais, sem licença da autoridade competente:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Art. 53. Nos crimes previstos nesta Seção, a pena é aumentada de um sexto a um
terço se:
I - do fato resulta a diminuição de águas naturais, a erosão do solo ou a
modificação do regime climático;
II - o crime é cometido:
a) no período de queda das sementes;
b) no período de formação de vegetações;
c) contra espécies raras ou ameaçadas de extinção, ainda que a ameaça ocorra
somente no local da infração;
d) em época de seca ou inundação;
e) durante a noite, em domingo ou feriado.
Seção III
Da Poluição e outros
Crimes Ambientais
Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam
resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a
destruição significativa da flora:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 1º Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
§ 2º Se o crime:
I - tornar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana;
II - causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea,
dos habitantes das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da
população;
III - causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do
abastecimento público de água de uma comunidade;
IV - dificultar ou impedir o uso público das praias;
V - ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou
detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências
estabelecidas em leis ou regulamentos:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 3º Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de
adotar, quando assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em
caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível.
Art. 55. Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a
competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a
obtida:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem deixa de recuperar a área
pesquisada ou explorada, nos termos da autorização, permissão, licença,
concessão ou determinação do órgão competente.
Art. 56. Produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar,
fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou
substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em
desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
I - abandona
os produtos ou substâncias referidos no caput ou os utiliza em desacordo
com as normas ambientais ou de segurança;
II -
manipula, acondiciona, armazena, coleta, transporta, reutiliza, recicla ou dá
destinação final a resíduos perigosos de forma diversa da estabelecida em lei
ou regulamento.
§ 2º Se o produto ou a substância for nuclear ou radioativa, a pena é aumentada
de um sexto a um terço.
§ 3º Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de seis
meses a um ano, e multa.
Art. 58. Nos crimes dolosos previstos nesta Seção, as penas serão aumentadas:
I - de um sexto a um terço, se resulta dano irreversível à flora ou ao meio
ambiente em geral;
II - de um terço até a metade, se resulta lesão corporal de natureza grave em
outrem;
III - até o dobro, se resultar a morte de outrem.
Parágrafo único. As penalidades previstas neste artigo somente serão aplicadas
se do fato não resultar crime mais grave.
Art. 60. Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer
parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços
potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais
competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa, ou ambas as penas
cumulativamente.
Art. 61. Disseminar doença ou praga ou espécies que possam causar dano à
agricultura, à pecuária, à fauna, à flora ou aos ecossistemas:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Seção IV
Dos Crimes contra o
Ordenamento Urbano e o Patrimônio Cultural
I - bem especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão
judicial;
II - arquivo, registro, museu, biblioteca, pinacoteca, instalação científica ou
similar protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena é de seis meses a um ano de
detenção, sem prejuízo da multa.
Art. 63. Alterar o aspecto ou estrutura de edificação ou
local especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial,
em razão de seu valor paisagístico, ecológico, turístico, artístico, histórico,
cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou monumental, sem autorização
da autoridade competente ou em desacordo com a concedida:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Art. 64. Promover construção em solo não edificável, ou no
seu entorno, assim considerado em razão de seu valor paisagístico, ecológico,
artístico, turístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico
ou monumental, sem autorização da autoridade competente ou em desacordo com a
concedida:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um)
ano, e multa.
§ 1o Se o ato for
realizado em monumento ou coisa tombada em virtude do seu valor artístico,
arqueológico ou histórico, a pena é de 6 (seis) meses a 1 (um) ano de detenção
e multa.
§ 2o
Não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar
o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que
consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo locatário ou arrendatário
do bem privado e, no caso de bem público, com a autorização do órgão competente
e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos
governamentais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio
histórico e artístico nacional.
Seção V
Dos Crimes contra a Administração Ambiental
Art. 66. Fazer o funcionário público afirmação falsa ou enganosa, omitir a
verdade, sonegar informações ou dados técnico-científicos em procedimentos de
autorização ou de licenciamento ambiental:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Art. 67. Conceder o funcionário público licença, autorização ou permissão em
desacordo com as normas ambientais, para as atividades, obras ou serviços cuja
realização depende de ato autorizativo do Poder Público:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de três meses a um ano de
detenção, sem prejuízo da multa.
Art. 68. Deixar, aquele que tiver o dever legal ou contratual
de fazê-lo, de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de três meses a um ano, sem
prejuízo da multa.
Art. 69. Obstar ou dificultar a ação fiscalizadora do Poder Público no trato de
questões ambientais:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
Art. 69-A. Elaborar ou apresentar, no licenciamento,
concessão florestal ou qualquer outro procedimento administrativo, estudo,
laudo ou relatório ambiental total ou parcialmente falso ou enganoso, inclusive
por omissão:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
§ 1o Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos.
§ 2o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois
terços), se há dano significativo ao meio ambiente, em decorrência do uso da
informação falsa, incompleta ou enganosa.
CAPÍTULO VI
DA INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA
Art. 70. Considera-se infração administrativa ambiental toda ação ou omissão
que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do
meio ambiente.
§ 1º São autoridades competentes para lavrar auto de
infração ambiental e instaurar processo administrativo os funcionários de
órgãos ambientais integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA,
designados para as atividades de fiscalização, bem como os agentes das
Capitanias dos Portos, do Ministério da Marinha.
§ 2º Qualquer pessoa, constatando infração ambiental, poderá dirigir
representação às autoridades relacionadas no parágrafo anterior, para efeito do
exercício do seu poder de polícia.
§ 3º A autoridade ambiental que tiver conhecimento de infração ambiental é
obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante processo administrativo
próprio, sob pena de co-responsabilidade.
§ 4º As infrações ambientais são apuradas em processo administrativo próprio,
assegurado o direito de ampla defesa e o contraditório, observadas as disposições
desta Lei.
Art. 71. O processo administrativo para apuração de infração ambiental deve
observar os seguintes prazos máximos:
I - vinte dias para o infrator oferecer defesa ou impugnação contra o auto de
infração, contados da data da ciência da autuação;
II - trinta dias para a autoridade competente julgar o auto de infração,
contados da data da sua lavratura, apresentada ou não a defesa ou impugnação;
III - vinte dias para o infrator recorrer da decisão condenatória à instância
superior do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, ou à Diretoria de
Portos e Costas, do Ministério da Marinha, de acordo com o tipo de autuação;
IV – cinco dias para o pagamento de multa, contados da data do recebimento da
notificação.
Art. 72. As infrações administrativas são punidas com as seguintes sanções,
observado o disposto no art. 6º:
I - advertência;
II - multa simples;
III - multa diária;
IV - apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna
e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza
utilizados na infração;
V - destruição ou inutilização do produto;
VI - suspensão de venda e fabricação do produto;
VII - embargo de obra ou atividade;
VIII - demolição de obra;
IX - suspensão parcial ou total de atividades;
XI - restritiva de direitos.
§ 1º Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações, ser-lhe-ão
aplicadas, cumulativamente, as sanções a elas cominadas.
§ 2º A advertência será aplicada pela inobservância das disposições desta Lei e
da legislação em vigor, ou de preceitos regulamentares, sem prejuízo das demais
sanções previstas neste artigo.
§ 3º A multa simples será aplicada sempre que o agente, por negligência ou
dolo:
I - advertido por irregularidades que tenham sido
praticadas, deixar de saná-las, no prazo assinalado por órgão competente do
SISNAMA ou pela Capitania dos Portos, do Ministério da Marinha;
II - opuser embaraço à fiscalização dos órgãos do SISNAMA ou da Capitania dos
Portos, do Ministério da Marinha.
§ 4° A multa simples pode ser convertida em serviços de
preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente.
§ 5º A multa diária será aplicada sempre que o cometimento da infração se
prolongar no tempo.
§ 6º A apreensão e destruição referidas nos incisos IV e V do caput
obedecerão ao disposto no art. 25 desta Lei.
§ 7º As sanções indicadas nos incisos VI a IX do caput serão aplicadas
quando o produto, a obra, a atividade ou o estabelecimento não estiverem
obedecendo às prescrições legais ou regulamentares.
§ 8º As sanções restritivas de direito são:
I - suspensão de registro, licença ou autorização;
II - cancelamento de registro, licença ou autorização;
III - perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais;
IV - perda ou suspensão da participação em linhas de financiamento em
estabelecimentos oficiais de crédito;
V - proibição de contratar com a Administração Pública, pelo período de até
três anos.
Art. 73. Os valores arrecadados em pagamento de multas por infração ambiental
serão revertidos ao Fundo Nacional do Meio Ambiente, criado pela Lei nº 7.797, de 10 de julho de 1989,
Fundo Naval, criado pelo Decreto nº 20.923, de 8 de janeiro de 1932, fundos
estaduais ou municipais de meio ambiente, ou correlatos, conforme dispuser o
órgão arrecadador.
Art. 74. A multa terá por base a unidade, hectare, metro cúbico, quilograma ou
outra medida pertinente, de acordo com o objeto jurídico lesado.
Art. 75. O valor da multa de que trata este Capítulo será fixado no regulamento
desta Lei e corrigido periodicamente, com base nos índices estabelecidos na
legislação pertinente, sendo o mínimo de R$ 50,00 (cinqüenta reais) e o máximo
de R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais).
Art. 76. O pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito
Federal ou Territórios substitui a multa federal na mesma hipótese de
incidência.
CAPÍTULO VII
DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL PARA A
PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE
Art. 77. Resguardados a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes,
o Governo brasileiro prestará, no que concerne ao meio ambiente, a necessária
cooperação a outro país, sem qualquer ônus, quando solicitado para:
I - produção de prova;
II - exame de objetos e lugares;
III - informações sobre pessoas e coisas;
IV - presença temporária da pessoa presa, cujas declarações tenham relevância
para a decisão de uma causa;
V - outras formas de assistência permitidas pela legislação em vigor ou pelos tratados
de que o Brasil seja parte.
§ 1° A solicitação de que trata este artigo será dirigida ao Ministério da
Justiça, que a remeterá, quando necessário, ao órgão judiciário competente para
decidir a seu respeito, ou a encaminhará à autoridade capaz de atendê-la.
§ 2º A solicitação deverá conter:
I - o nome e a qualificação da autoridade solicitante;
II - o objeto e o motivo de sua formulação;
III - a descrição sumária do procedimento em curso no país solicitante;
IV - a especificação da assistência solicitada;
V - a documentação indispensável ao seu esclarecimento, quando for o caso.
Art. 78. Para a consecução dos fins visados nesta Lei e especialmente para a
reciprocidade da cooperação internacional, deve ser mantido sistema de
comunicações apto a facilitar o intercâmbio rápido e seguro de informações com
órgãos de outros países.
CAPÍTULO VIII
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 79. Aplicam-se subsidiariamente a esta Lei as disposições do Código Penal
e do Código de Processo Penal.
Art. 79-A. Para o cumprimento do disposto
nesta Lei, os órgãos ambientais integrantes do SISNAMA, responsáveis pela
execução de programas e projetos e pelo controle e fiscalização dos
estabelecimentos e das atividades suscetíveis de degradarem a qualidade
ambiental, ficam autorizados a celebrar, com força de título executivo
extrajudicial, termo de compromisso com pessoas físicas ou jurídicas
responsáveis pela construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos
e atividades utilizadores de recursos ambientais, considerados efetiva ou
potencialmente poluidores.
§ 1o O
termo de compromisso a que se refere este artigo destinar-se-á, exclusivamente,
a permitir que as pessoas físicas e jurídicas mencionadas no caput
possam promover as necessárias correções de suas atividades, para o atendimento
das exigências impostas pelas autoridades ambientais competentes, sendo
obrigatório que o respectivo instrumento disponha sobre:
I - o nome, a
qualificação e o endereço das partes compromissadas e dos respectivos
representantes legais;
II - o prazo
de vigência do compromisso, que, em função da complexidade das obrigações nele
fixadas, poderá variar entre o mínimo de noventa dias e o máximo de três anos,
com possibilidade de prorrogação por igual período;
III - a
descrição detalhada de seu objeto, o valor do investimento previsto e o
cronograma físico de execução e de implantação das obras e serviços exigidos,
com metas trimestrais a serem atingidas;
IV - as multas
que podem ser aplicadas à pessoa física ou jurídica compromissada e os casos de
rescisão, em decorrência do não-cumprimento das obrigações nele pactuadas;
V - o valor da
multa de que trata o inciso IV não poderá ser superior ao valor do investimento
previsto;
VI - o foro
competente para dirimir litígios entre as partes.
§ 2o No
tocante aos empreendimentos em curso até o dia 30 de março de 1998, envolvendo
construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e
atividades utilizadores de recursos ambientais, considerados efetiva ou
potencialmente poluidores, a assinatura do termo de compromisso deverá ser
requerida pelas pessoas físicas e jurídicas interessadas, até o dia 31 de
dezembro de 1998, mediante requerimento escrito protocolizado junto aos órgãos
competentes do SISNAMA, devendo ser firmado pelo dirigente máximo do
estabelecimento.
§ 3o Da
data da protocolização do requerimento previsto no § 2o e
enquanto perdurar a vigência do correspondente termo de compromisso, ficarão
suspensas, em relação aos fatos que deram causa à celebração do instrumento, a
aplicação de sanções administrativas contra a pessoa física ou jurídica que o
houver firmado.
§ 4o A
celebração do termo de compromisso de que trata este artigo não impede a
execução de eventuais multas aplicadas antes da protocolização do requerimento.
§ 5o Considera-se
rescindido de pleno direito o termo de compromisso, quando descumprida qualquer
de suas cláusulas, ressalvado o caso fortuito ou de força maior.
§ 6o O
termo de compromisso deverá ser firmado em até noventa dias, contados da
protocolização do requerimento.
§ 7o O
requerimento de celebração do termo de compromisso deverá conter as informações
necessárias à verificação da sua viabilidade técnica e jurídica, sob pena de
indeferimento do plano.
§ 8o Sob
pena de ineficácia, os termos de compromisso deverão ser publicados no órgão
oficial competente, mediante extrato.
Art. 80. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de noventa dias a
contar de sua publicação.
Art. 82. Revogam-se as disposições em contrário.
A CIDADANIA E A ECOLOGIA
COMO CONSCIÊNCIA AMBIENTAL
E O FUTURO DO PLANETA
ABELARDO DANTAS ROMERO
INTRODUÇÃO
Em meados do século XIX, as
pesquisas na área da ecologia natural ganharam consistência com os estudos dos
sistemas florestais e marinhos.
Desenvolvem-se diferentes
aspectos dessa interação, estruturando o conhecimento cientifico. Há cerca de 3
anos o mundo apavorou-se com a sentença apocalíptica dos cientistas acerca da
Terra:
E assim o mundo passou a temer as conseqüências do superaquecimento
global, o derretimento das geleiras, o caos no Universo, tendo-se propagado, na
mídia pelo menos, uma onda verde de campanhas de consciência ambiental para
minimizar os estragos produzidos pela sociedade capitalista e industrializada ao meio ambiente.
A dinâmica e o equilíbrio dos ecossistemas dependem de sua
biodiversidade da quantidade e da qualidade das espécies neles
existentes e das interações que elas estabelecem entre si e com o meio físico.
Através deste trabalho, mostra-se a necessidade da conscientização
coletiva para que tenhamos um meio ambiente sadio para as futuras gerações.
I - A DEGRADAÇÃO DO
MEIO AMBIENTE
Com o advento da Revolução Industrial os problemas ambientais começaram
agravar-se cada vez mais, primeiro nos atuais países desenvolvidos e depois no
restante do mundo. A degradação da natureza, embora possa ocorrer em pequena
escala em sociedades tradicionais, é decorrência típica do desenvolvimento
desenfreado do capitalismo selvagem existente e da modernização que este
promove na sociedade industrializada.
É por este motivo que, também aqui no Brasil, os problemas ambientais
expandiram-se e se agravaram bastante com a industrialização e a urbanização do
país, notadamente a partir dos anos 1960.
Em sua grande amplitude nos dias de hoje, a questão ambiental é uma
conseqüência ou um subproduto da modernidade, da sociedade moderna ou
capitalista, que, por um lado, e, por outro lado, amplia a qualidade de vida e,
por outro, provoca ou agrava inúmeras contradições.
Assim, essa sociedade, por exemplo, diminui as taxas de mortalidade
geral e infantil, alargando a expectativa de vida, produzindo novos bens e
serviços e expandindo o seu consumo, mas gerando desigualdades, poluição,
desmatamentos e guerras mais devastadoras por causa da tecnologia moderna e do
querer sempre mais.
Toda tecnologia na sociedade moderna capitalista e industrial produz um
avanço tecnológico maior que todas as demais sociedades juntas, do passado ou
do presente, encerrando aspectos positivos e negativos.
Representa uma melhoria, encurtando as distâncias economizando trabalho
humano, aumentando a produtividade no campo, mas também compreende um potencial
de desordem e por que não dizer de desastres com acidentes aéreos ou
rodoviários, máquinas ajudando a dispensar trabalhadores humanos, perigo de
alimentos contaminados por agrotóxicos etc.
Com o nascimento e o desenvolvimento capitalismo na Europa ocidental, e
sua posterior expansão para todos os cantos do mundo, agravaram-se os problemas
acarretados pela devastação da Floresta Amazônica, da poluição do ar, dos rios
e dos oceanos, a par de uma intensa urbanização com problemas ambientais como
abastecimento e poluição da água, submoradia, acúmulo de lixo, entre outros.
A maioria das pessoas como as empresas capitalistas, o importante não é
o que é bom para todos ou que é justo, mas o que lhes dará lucro rapidamente,
mesmo que em longo prazo isso tenha conseqüências negativas para a humanidade.
Assim, uma empresa moderna, particular ou pública, inserida no mercado
capitalista, é melhor devastar umas flores para a obtenção de madeira que
preservá-la para evitar a poluição atmosférica e a destruição da flora e fauna
locais, trazendo conseqüências negativas para a humanidade.
II - O
HOMEM E O MEIO AMBIENTE
O homem interfere nas cadeias alimentares ao extinguir espécies ou
vegetais por meio da caça predatória e da degradação ambiental. Os ecossistemas
ficam pobres tendo em vista a simplificação da ação humana, com a introdução de
monoculturas, grande número de espécies vegetais e animas é suprimido e o equilíbrio
é fragilizado. As pragas constituem umas das expressões desse desequilíbrio. O
conceito de cadeia alimentar traduz os fluxos e as trocas de energia dos
ecossistemas: as plantas que recebem a energia solar e se nutrem de substâncias
inorgânicas do solo são o alimento dos herbívoros, e estes constituem o
cardápio dos carnívoros.
Bactérias e fungos decompõem os organismos que, quando
mortos, realimentam o fundo de fertilidade natural do solo, e assim é
recarregado para sustentação de novos ciclos.
O combate desenfreado aos insetos por agrotóxicos elimina outras espécies
atingidas pelo veneno. Na ausência de predadores naturais eliminados, outros
insetos aumentam sua população e se convertem em novas pragas, desencadeando um
processo de destruição ainda maior com agrotóxicos mais potentes.
O capitalismo em grande escala ganha com a venda desordenada de agrotóxicos
e os consumidores perdem pois adquirem produtos sem qualidade sendo nocivos a
sociedade.
O despejo de esgotos industriais, contendo metais pesados e substâncias
cancerígenas, interfere diretamente nas cadeias alimentares, colaborando para a
degradação ambiental
Durante anos foram usadas experiências desastrosas, podemos citar o óleo
ascarel que foi usado durante anos como isolante nos geradores por causa da
resistência a elevadas temperaturas, até que se descobriu ter sido essa
substância a responsável pela destruição da metade da fauna e da flora do Mar
do norte da Europa.
Os cientistas puderam ainda comprovar que o óleo era cancerígeno, ainda
que uma parte fosse diluída em um milhão de partes de água.
Aonde o ascarel despejava morriam centenas de peixes, de algas e de pássaros,
decisão importante foi a substituição do ascarel pelo óleo
mineral que tem a mesma função e não destrói o ecossistema.
Outro exemplo bastante significativo de destruição do ecossistema foi o
despejo de mercúrio na tragédia da Baía de Minamata no Japão em 1954. O mercúrio
entrou na cadeia alimentar ao ser absorvido de modo direto, por algas e
mariscos. Sendo um metal pesado sua concentração foi aumentando no organismo
dos peixes e camarões. As aves que comeram esses animais passaram a voar sem
direção em círculos, sem paradeiro.
III - ESPÉCIES
AMEAÇADAS E PRESERVADAS
Campanhas ecológicas em todo mundo conseguiu com que fosse substituído,
na década de 1990, o gás CFC dos sprays (desodorantes e espuma para barbear),
pelos gases butano e propano, que agem como propelentes.
Temos hoje o SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e
escolas técnicas preocupadas com ameaça ao planeta formando mecânicos para a
reciclagem de gás.
Em relação a extinção foram extintas 2 mil das 11 mil espécies de aves
que existem no planeta, 20% dessas espécies de peixes de água doce, 30% dos
insetos e 40% dos fungos, que aumentam a absorção de nutrientes pelas raízes
das plantas.
A terra abriga hoje 30 milhões de espécie de vida vegetal e animal, das
quais apenas 2 milhões são conhecidos e estudados. Existem atualmente 5.500 espécies
animais e 4 mil espécies vegetais seriamente ameaçadas de extinção, sendo que
450 dessas espécies animais e vegetais são do Brasil.
Os ambientalistas desenvolveram projetos que conseguiram salvar 16
espécies animais e vegetais. Exemplifico como salutar o Projeto Lontra –
desenvolvido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente – IBAMA e pela
Universidade Federal de Santa Catarina, com expressivo resultado, o projeto
Baleia Jubarte esta concentrado na região de Abrolhos no Sul da Bahia,
principal área de reprodução e de criação.
IV - A CONSCIÊNCIA
ECOLÓGICA
No Brasil, como agravante, prevalece um capitalismo selvagem,
subdesenvolvido ou dependente, que está em uma posição periférica no sistema
capitalismo mundial. Aqui, além da presença de um Estado acostumado a mandar e
a desmandar sem levar em conta os interesses da maioria da população, há um
poder público autoritário cruel, e, como vimos marcados por um elevado grau de
corrupção e desmando.
Tudo isto são heranças da nossa colonização, que criou entre nós uma
mentalidade do tipo: é bom sempre levar vantagem em tudo em detrimento dos
outros, o que não poupou nem a natureza, são também conseqüências de nossa
industrialização, que foi tardia e, ao mesmo tempo, rápida e que se
intensificou apenas no século XX.
Existe aqui em nosso país um grande número de desempregados e
subempregados, um exército de reserva de trabalhadores juntamente com enormes
contingentes populacionais que vivem em situação de penúria e pobreza, pensando
tão-somente em sua sobrevivência e não dando conta da importância ambiental,
pois não são educados para isso.
Isso se faz também porque entre nós, a consciência ecológica, ou seja,
ambiental, isto é a consciência da maioria da população sobre o valor da
natureza, sobre a necessidade de preservá-la nasceu tardiamente e ainda é muito
incipiente, resultado tanto de fatores sociais como pobreza e desempregado
quanto ao precário sistema escolar, que só recentemente começou a desenvolver
campanhas educativas e uma lenta melhora do problema ambiental.
V - AS METRÓPOLES
ESTÃO CADA VEZ MAIS POLUÍDAS
As metrópoles brasileiras são mais poluídas que as grandes cidades por
causa de uma série de motivos: elenco dois motivos base para que isto ocorra à
falta de zoneamento rígido, que determine áreas periféricas nas quais não há
ventos que sopram em direção da cidade e a carência de bons sistemas de
transporte coletivo, o que leva as pessoas proprietários de carros particulares
a usá-los diariamente para ir ao trabalho ou às compras.
Somente nos anos 90 começou a preocupação em estabelecer limites para
essas emissões, com programas de catalisadores nos carros novos e filtros
especiais em chaminés de fábricas. Em algumas cidades, como São Paulo, existe
desde essa época um sistema de rodízio de veículos, em que os carros com
determinado final de placa não podem circular em um dia da semana, algo que se
pensou inicialmente para o inverno, quando a poluição do ar é mais intensa por
causa das poucas chuvas e das inversões térmicas.
É bom ressaltar que medidas paliativas, desse tipo como programar um
sistema de rodízio de carros ou de rodízio de bairros que vão ficar sem água
durante alguns dias por semana ou por mês, muito comum no Brasil, somente
evidencia a incapacidade de gerência dos nossos governos que não estão
preocupados realmente com a questão séria do meio ambiente.
VI - A CARÊNCIA DE ÁREAS VERDES
Um dos principais problemas ambientais das grandes cidades e, às vezes,
até das médias cidades brasileiras é a carência de áreas verdes, isto é, reservas
florestais, parques e praças com muitas árvores e preservadas.
A carência de áreas verdes agrava-se mais, com a poluição do ar e torna
mais restrita as opções de lazer da população, pois tais áreas são em geral
locais de recreação, de esportes, de passeios ou de descanso.
Estabeleceu internacionalmente que são necessários no mínimo, 16m2 de
área verde por habitante, proporção respeitada em cidades europeias como
Londres, Estocolmo, Copenhague e Viena. Mas no Brasil, isso é raro,em São
Paulo a terceira cidade do mundo, por exemplo, existem apenas 4,5
m2 por habitante de área verde por habitante. (Fonte: www.ibge.gov.br).
VII - O LIXO E
ESGOTOS
Temos um grande problema nos grandes centros urbanos o lixo e dos esgotos.
O volume de lixo produzido por pessoa é enorme nas sociedades
industrializadas.
Um estudo recente do IBGE, mostrou que, em média, cada morador de área
urbana no Brasil produz 220 kg de lixo domiciliar por ano. Se somarmos a
isso os resíduos produzidos pelas indústrias, escritórios, hospitais que produz
lixo particularmente perigoso e que deve receber uma coleta especial e
incineração o que nem sempre é respeitado.
Muitas cidades não têm mais aonde colocar o lixo que produzem, boa parte
é jogado em terrenos baldios, o que conseqüentemente contribuem para a
multiplicação de ratos, baratas e outros insetos transmissores de doenças.
Com as chuvas esse lixo pode se infiltrar no solo e contaminar a água
subterrânea ou ficar na superfície, em poças de água, favorecendo a
proliferação de mosquitos que podem transmitir doenças como a dengue e até
malária.
Os esgotos urbanos geralmente são despejados em rios que cortam a
cidade, poluindo-os intensamente e transformando-os, muitas vezes, em rios
fétidos e mortos sem peixe.
É ainda raro no Brasil, salvo as empresas cito como a de alumínio, papel
e vidro que fazem reciclagem, mas ainda é bem pouco para a quantidade de lixo
que produzimos.
VIII - A POLUIÇÃO
SONORA E A POLUIÇÃO VISUAL
A poluição sonora e a poluição visual são também um grave problema para
grande parte dos centros urbanos do país.
O barulho excessivo provém dos veículos em circulação, das obras em
construção, de britadeiras de vendedores ambulantes, etc. Este barulho,
freqüentemente, atinge níveis alarmantes, provocando neuroses e a perda
progressiva da capacidade de audição.
A poluição visual se expressa principalmente pelo elevado número de
cartazes publicitários, que exageram as vantagens do que anunciam e, não raro,
demonstram preconceito contra as mulheres ou indígenas, os negros ou pessoas
com orientações sexuais diferentes da heterossexual. Além disso, em inúmeros
casos, a propaganda alardeia produtos inacessíveis à maioria da população.
IX - CLIMA URBANO
Outra alteração ambiental que a industrialização acarreta nos centros
urbanos é a formação de um micro clima específico nessa área, denominado clima
urbano.
O clima de uma área não depende apenas de condições locais, mas de
fatores planetários, massas de ar, circulação, atmosférica, insolação.
Todavia os fatores locais de maior ou menor presença de água, vegetação,
de gás carbônico no ar também influenciam o clima, embora sua importância se
restrinja as áreas pequenas. Dai o nome microclima para designar climas de
áreas restritas, principalmente em algumas cidades. De modo geral, as cidades
industrializadas são mais quentes e mais chuvosas que as áreas rurais vizinhas.
Além disso, os enormes edifícios que surgem especialmente na parte
central das cidades limitam a ação dos ventos, provocando a formação de
verdadeiras ilhas de calor. O asfaltamento do solo urbano dificulta também a
infiltração das águas das chuvas, contribuindo para a ocorrência de enchentes
nas épocas de precipitações fortes.
O aumento dos índices de pluviosidade decorre, sobretudo da grande
quantidade de particular sólidas – poeiras – na atmosfera da cidade.
X - A ÁGUA POTÁVEL
Outro problema ambiental sanitário dos grandes centros urbanos do país,
que se agrava com o tempo, é o abastecimento de água potável. A qualidade da
água utilizada nas residências é tão importante que 80% das doenças existentes
nos países subdesenvolvidos devem-se a má utilização desse recurso. (fonte:
www.ibge.gov.br).
A rede de água para abastecimento urbano no Brasil ainda é insuficiente
para a crescente população das médias e grandes cidades, apesar de sua
expansão.
Uma parcela da população, especialmente nas periferias e bairros pobres,
sempre fica a margem da rede de água tratada.
A água torna-se cada vez mais difícil e menos pura nos grandes centros.
XI - A ECOLOGIA NA
SALA DE AULA
A ecologia ambiental é tema obrigatório nos encontros de ecologistas.
Todos são favoráveis à educação ambiental ampla e obrigatória, mas há pontos
controversos: ela deve estar numa única cadeira ou em módulos de varias
disciplinas.
Devemos capacitar nossos professores para ministrar cursos de bom nível
que relacionem ecologia, ciência, vida cotidiana e mudança cultural.
Como combinar educação ambiental em sala de aula, com práticas externas
que apliquem os conceitos estudados em sala.
Salienta-se que deve ser dado o mesmo tipo de aula a alunos de
diferentes regiões do país para que possamos equipará-los, conscientizando-os da importância do meio
ambiente sadio.
No currículo escolar deveria ser debatidos temas como o meio ambiente, e
conseqüente ensinar a organização especial das atividades em relação às cidades
mostrando o impacto da não prática de medidas em prol do meio ambiente.
A implantação da coleta seletiva de lixo nas escolas deve ser precedida
de reuniões de trabalho como a diretoria e com o corpo docente. Em conjunto com
o grêmio de alunos, deve ser preparado um material visual que atraia o alunado
a saber o que o lixo significa.
O contato com empresas de reciclagem e com sucateiros deve ser feito
pelos responsáveis pela experiência, e a pesagem do material coletado deve ser
feita na presença dos alunos, para que os mesmo deem valor da coleta do lixo e
a propriedade do lixo.
Há
pouco tempo a Escola D. Pedro II na cidade do Rio de Janeiro desenvolveu com
alunos e professores um programa de reciclagem e diante do aproveitamento
considerável os recursos obtidos foram comprados computadores, ventiladores e
material esportivo para a escola fazendo com isso uma interação aluno,
professor e comunidade para o desenvolvimento da Escola.
CONCLUSÃO
Diante do exposto, concluímos que se não tivermos consciência diante do
quadro apresentado, teremos um meio ambiente bem distante, a situação é
critica, pois, são poucas as medidas concretas tomadas em favor do meio
ambiente sadio.
As leis ecológicas continuarão com reduzida eficácia, caso os órgãos
ambientais sigam desequipados e com pouco poder político e a justiça permaneça
insensível com as conseqüências dos crimes ambientais, às vezes até alimentando
a impunidade.
Podemos sim, com ações eficazes como: não devastar florestas; ter um
serviço de transporte eficiente; expansão do serviço de metrô; cuidar da água;
reciclagem de lixo; jogar lixo no lixo etc.
Somente com as medidas supracitadas e com a mudança de mentalidade
é que podemos reverter este quadro preocupante do meio ambiente. Temos que nos
atentarmos o quanto antes, para que tenhamos um planeta preparado para novas
gerações.
BIBLIOGRAFIA
MINC CARLOS. Ecologia
e Cidadania. Editora Moderna. 2ª edição. São Paulo: 2006.
VESENTINI
JOSE WILLIAM. Brasil Sociedade e Espaço. Geografia do Brasil.
Editora Ática. São Paulo: 2006.
MOREIRA JOÃO
CARLOS e SENE EUSTÁSQUIO DE. Geografia-FNDE. Editora Spcione. São
Paulo: 2009.
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