HEPATITES VIRAIS NO BRASIL
Política pública
As hepatites virais, em sua maioria, são doenças silenciosas. Segundo a
Organização Mundial de Saúde (OMS), há no mundo cerca de 520 milhões de
pessoas portadoras da infecção pelos vírus das hepatites B e C. O Programa
Nacional para a Prevenção e o Controle de Hepatites Virais foi criado em 2002 e em
2009 integrou-se ao Departamento de DST e Aids. A união de esforços, a partir das
afinidades programáticas, potencializa as respostas, causando maior impacto nos
indicadores de saúde. O Sistema Único de Saúde garante aos brasileiros o direito
à saúde com base na promoção dos direitos humanos, no acesso universal ao
tratamento e na prevenção de novas infecções.
Diagnóstico precoce
- Ampliar o diagnóstico das hepatites virais é uma prioridade para o Ministério da Saúde.
- Os testes de diagnóstico estão disponíveis em toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS).
- O Ministério da Saúde acaba de validar e adquirir o teste rápido para triagem das hepatites B e C.
- O diagnóstico precoce proporciona acesso ao tratamento em tempo adequado, o que previne as complicações da infecção crônica (cirrose, câncer e transplante de fígado).
- A ampliação do diagnóstico significará mais notificações e uma estimativa mais realista do número de casos, o que contribuirá para aperfeiçoar a resposta brasileira em relação a essas infecções.
Tratamento
- O governo oferece, sem custo, seis medicamentos para o tratamento da hepatite B. Para a hepatite C, há três medicamentos disponíveis e mais dois serão incorporados no início de 2013.
- O tenofovir passou a ser produzido no Brasil em 2011. Sua produção fortalece a autonomia do país na produção de fármacos.
- Atualmente estão em tratamento cerca de 16 mil pacientes com hepatite B e cerca de 13 mil pacientes com hepatite C.
- A infecção pelo vírus da hepatite A é na maioria das vezes benigna, com remissão espontânea, sem necessidade de tratamento medicamentoso.
Vacinação para
hepatite B
- A vacinação pode controlar a hepatite B.
- Atualmente, o SUS disponibiliza a vacinação para todas as pessoas até os 29 anos de idade e também para populações vulneráveis em todas as faixas etárias. Entre estas, incluem-se: manicures e pedicures; profissionais do sexo; pessoas que fazem sexo com pessoas do mesmo sexo; caminhoneiros; policiais militares e civis; doadores de sangue; coletadores de lixo domiciliar e hospitalar; profissionais de saúde.
- Em 2012, a faixa etária de vacinação foi ampliada para as pessoas entre 25 a 29 anos.
- A vacina é administrada em três doses e sua eficácia é alta. Para garantir a eficácia é necessário que as pessoas recebam as três doses.
- Para ampliar a cobertura entre os jovens, os estados e municípios têm realizado vacinação em escolas.
Dados sobre as hepatites virais
Hepatite A
- Relacionada às condições de saneamento básico e higiene.
- Prevalência de 39,5% (na faixa etária de 5 a 19 anos) de contato com o vírus nas capitais e DF.
- No grupo de 5 a 9 anos o percentual de contato com o vírus foi de 27,0% e na faixa etária de 10 a 19 anos chegou a 44,1%.
- Pesquisa brasileira recente revelou que a endemicidade nas capitais do país e no DF é de intermediária a baixa.
Hepatite B
- Maior proporção de transmissão por via sexual.
- A prevalência de hepatite B na população geral (10 a 69 anos) é de 0,37% nas capitais e no DF.
- Pesquisa nas capitais do Brasil e no DF mostrou baixa endemicidade (menor que 1%) nas 5 regiões.
- A melhor forma de prevenção para a hepatite B é vacina, associada ao uso do preservativo.
Hepatite C
- A principal forma de transmissão se dá por contato com sangue (por exemplo, compartilhamento de objetos como alicates de unha, lâminas de barbear, agulhas, seringas, equipamentos para tatuagens e uso de drogas).
- As pessoas que foram submetidas a transfusão de sangue antes de 1993 devem se testar.
- A prevalência na população geral foi de 1,38% (10 a 69 anos) nas capitais e no DF.
- Maior prevalência na Região Norte (2,1%), seguida pelas Regiões Centro-Oeste e Sudeste (ambas com 1,3%), Sul (1,2%) e Nordeste (0,7%).
- De 70 a 80% das infecções se cronificam. Em média, 20% destas podem evoluir para cirrose e de 1% a 5% para câncer do fígado.
Hepatite D
- A principal forma de transmissão ocorre por via sexual.
- Só as pessoas portadoras da infecção pelo vírus B têm risco de se infectar pelo vírus da hepatite D.
- A hepatite B, quando associada à hepatite D, tem maior risco de complicações hepáticas graves.
- O diagnóstico precoce e a vacina para a hepatite B podem evitar a transmissão pelo tipo D.
- Esse tipo da doença é endêmico na Região Norte.
Hepatite E
- A transmissão ocorre por meio de água ou alimentos contaminados pelo vírus.
- É mais comum na Ásia e África, sendo rara no Brasil.
- A melhor forma de evitar a doença é pela melhoria do saneamento básico e por medidas educacionais de higiene.
LEPTOSPIROSE:
O que é e como prevenir
Leptospirose: o que é?
A leptospirose é uma doença causada por uma bactéria presente na urina do rato que normalmente se espalha pela água suja das enchentes e esgotos.
Como as pessoas se contaminam?
- As pessoas podem ficar doentes quando entram em contato com água ou lama contaminadas pela urina de roedores (ratazanas, ratos de telhado e camundongos).
- A bactéria entra na pele, com ou sem ferimentos, quando em contato com estas águas.
Alguns cuidados para se prevenir da doença:
- Evite o contato com água ou lama de enchentes ou esgotos.
- Impeça que crianças nadem ou brinquem nestes locais, que podem estar contaminados pela urina dos ratos.
- Pessoas que trabalham na limpeza de lama, entulho e esgoto devem usar botas e luvas de borracha para evitar o contato da pele com água e lama contaminadas (se isto não for possível, usar sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés).
- Após as águas baixarem, será necessário retirar a lama e desinfetar o local (sempre se protegendo).
- Deve-se lavar pisos e paredes com água e sabão, desinfetando com água sanitária (2,5%) na proporção de 2 xícaras das de chá (400ml) deste produto para um balde de 20 litros de água, deixando agir por 15 minutos. Deixe secar.
- Tenha cuidado com os alimentos que tiveram contato com água de enchente. Alguns devem ser jogados fora, outros precisam de tratamento especial nestas situações.
- É importante limpar e desinfetar a caixa d’água.
Medidas práticas para evitar a presença de roedores
- Manter os alimentos guardados em recipientes bem fechados e à prova de roedores (latas de vidro, alumínio), em locais elevados do solo.
- Manter a cozinha limpa sem restos de alimentos para evitar a presença de roedores.
- Retirar as sobras de alimento ou ração de animais domésticos antes do anoitecer e manter limpos os vasilhames de alimentação, evitando restos alimentares que atraem os roedores.
- Manter os terrenos baldios e as margens de córregos limpos e capinados e não jogar lixo nestes locais.
- Evitar entulhos e acúmulo de objetos nos quintais, como telhas, madeiras e materiais de construção, pois servirão de abrigo ao roedor.
- Acondicionar o lixo em sacos plásticos ou em latões de metal com tampa, armazenando-o em locais altos até que seja coletado.
- Colocar o lixo para coleta pouco antes do lixeiro passar, em locais determinados pelo Serviço de Limpeza Urbana.
- Fechar buracos e vãos nas paredes e rodapés para evitar a entrada de roedores nas casas.
- Manter ralos e vasos sanitários tampados com tampa pesada.
ATENÇÃO
Se, apesar dessas orientações, você apresentar febre, dor de cabeça e dores no corpo até 40 dias depois de ter entrado em contato com as águas de enchente ou esgoto, procure imediatamente o Centro de Saúde mais próximo. Não se esqueça de contar ao médico o seu contato com água ou lama de enchente.
Diretoria de Vigilância Epidemiológica - DIVEP
Núcleo de Zoonoses e Vetores
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