sexta-feira, 24 de maio de 2013

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS I - Antunes /Arroyo/ Buoro/ Carretero

Celso Antunes
As Inteligências Múltiplas E Seus Estímulos 


ANTUNES,Celso, As inteligências Múltiplas e seus estímulos". Campinas,São Paulo:Papirus,1998.- (Coleção Papirus Educação) ISBN 85-308-0512-7-137p.

     É uma obra de grande importância para quem se dedica ao processo de educar, tanto para os pais como professores, psicopedagogos, psicólogos e outros especialistas educacionais.O autor expõe de forma clara e de fácil entendimento as idéias de Howard Gardner sobre as múltiplas inteligências que o ser humano possui. Afirma que o profissional da educação, deve estar atento às manifestações das mesmas, dentro do processo de aprendizagem. Antunes explica,uma a uma, as inteligências já estudadas por Gardner.
     Explica sobre o que seja a inteligência e as possibilidades da mesma aumentar, envelhecer e as oportunidades que o cérebro humano abre,em determinadas fases de desenvolvimento, na aprendizagem de uma criança. A este processo ele nomeia como uma "janela de oportunidades" que é quando a criança estará pronta a se desenvolver , nos tipos de inteligências que possui. Um educador precisa ajudar seus alunos a desenvolver suas aptidões para aquelas que possui, ou desenvolver a um nível adequado as que tem mais dificuldades.Antunes faz uma relação entre a memória e a capacidade de concentração que se possui, bem como da inteligência e da aprendizagem.Explana sobre o "construtivismo" de Piaget e Emília Ferreiro de forma sucinta e aponta os melhores meios de se educar as diversas inteligências. As mesmas devem ser desenvolvidas e utilizadas à favor da pessoa e da sociedade, em que esta convive.Por intermédio de questões simples, o autor vai colocando as diferentes inteligências e quais os melhores procedimentos que o educador deve utilizar para que as desenvolva em sala de aula.
     De leitura agradável e rápida, a obra abre um amplo leque para todos que queira compreender e trabalhar com a inteligência humana.Dá uma visão mais nítida sobre estas manifestações da inteligência, que muitas vezes passam desapercebidas das pessoas que desejam educar e desenvolver uma criança de forma muito mais ampla.A inteligência, para o autor, precisa ser estimulada e tendo em vista que é possível desenvolver sempre mais, terá o educador, meios para ampliá-la ajudando a criança a se desenvolver plenamente.

ARROYO
POR UMA EDUCAÇÃO DO CAMPO
I Conferência Nacional Por Uma Educação Básica do Campo

Miguel Gonzalez ARROYO; Roseli Salete CALDART; Mônica Castagna MOLINA  (Orgs.).Por uma educação do campo. Petrópolis: Vozes, 2004, 

Compromissos e Desafios
Esta Conferência nos mostrou que somente é possível trabalhar por uma Educação Básica do Campo vinculada ao processo de construção de um Projeto Popular para o Brasil, que inclui necessariamente um novo projeto de desenvolvimento para o campo e  a garantia de que todo o povo tenha acesso à educação. Nesta perspectiva, nós, participantes desta Conferência, assumimos, pessoal e coletivamente, os seguintes compromissos e desafios:

1. Vincular as práticas de Educação Básica do Campo com o processo de
construção de um Projeto Popular de desenvolvimento nacional -  A Educação do Campo tem um compromisso com a vida, com a luta e com o  movimento social que está buscando construir um espaço onde possamos viver com dignidade. A Escola, ao assumir a caminhada do povo do campo, ajuda a interpretar os processos educativos que acontecem fora dela e contribui para a inserção de educadoras/educadores e educandas/educandos na transformação da sociedade.

2. Propor e viver novos valores culturais -  A Educação do Campo precisa resgatar os valores do povo que se contrapõem ao individualismo, ao consumismo e demais contra valores que degradam a sociedade em que vivemos. A Escola é um dos espaços para antecipar, pela vivência e pela correção fraterna, as relações humanas que cultivem a cooperação, a solidariedade, o sentido de justiça e o zelo pela natureza.

3. Valorizar as culturas do campo - A Educação do Campo deve prestar especial atenção às raízes da mulher e do homem do campo, que se expressam em culturas distintas, e perceber os processos de interação e transformação. A Escola é um espaço privilegiado para manter viva a memória dos povos, valorizando saberes e promovendo a expressão cultural onde ela está inserida.

4. Fazer mobilizações em vista da conquista de políticas públicas pelo direito à Educação Básica do Campo -  A Educação do Campo resgata o direito dos povos do campo à Educação Básica, pública, ampla e de qualidade. A Escola é o espaço onde a comunidade deve exigir, lutar, gerir e fiscalizar as políticas educacionais.

5. Lutar para que todo o povo tenha acesso à alfabetização -  A Educação do Campo deve partir das linguagens que o povo domina e combinar a leitura do mundo com a leitura da palavra. A Escola deve assumir o desafio de exigir e implementar programas de Educação de Jovens e Adultos, priorizando, no momento, ações massivas de alfabetização.
6. Formar educadoras e educadores do Campo
A Educação do Campo deve formar e titular seus próprios educadores, articulando-os
em torno de uma proposta de desenvolvimento do campo e de um projeto políticopedagógico específico paras suas escolas.
A Escola que forma as educadoras/os educadores deve assumir a identidade do campo e
ajudar a construir a referência de uma nova pedagogia.

7. Produzir uma proposta de Educação Básica do Campo - A Educação do Campo, a partir de práticas e estudos científicos, deve aprofundar umapedagogia que respeite a cultura e a identidade dos povos do campo: tempos, ciclos da natureza, mística da terra, valorização do trabalho, festas populares, etc.A Escola necessita repensar a organização de seus tempos e espaços para dar conta
deste novo desafio pedagógico.

8. Envolver as comunidades neste processo
A Educação do Campo acontece através de ações de solidariedade e de cooperação
entre iniciativas, organizações e movimentos populares, em vista da implementação de
um projeto popular de desenvolvimento do campo. A Escola deve assumir a gestão democrática em seus diversos níveis, incluindo a participação das alunas e dos alunos, das famílias, das comunidades, das organizações e dos movimentos populares.

9. Acreditar na nossa capacidade de construir o novo
A Educação do Campo exige fidelidade aos povos do campo. A educadora/o educador
não pode se descolar da realidade nem perder a utopia. A Escola.deve ser espaço de ressonância das demandas e dos sonhos, contribuindo na formação de sujeitos coerentes e comprometidos como novo Projeto.

10. Implementar as propostas de ação desta Conferência
A Educação do Campo tem por base a necessidade do engajamento de seus sujeitos na
concretização dos compromissos assumidos. A pedagogia do diálogo deve ser
combinada com a pedagogia da ação. A Escola precisa estar presente na vida da comunidade e assumir as grandes questões e causas dos povos do campo.

ANAMÉLIA BUENO BUORO
     O olhar em construção: Uma experiência de ensino e aprendizagem da arte na escolaé produto da dissertação de mestrado de Anamélia Bueno Buoro, defendida na PUC de São Paulo.
     O trabalho surgiu a partir de uma constatação da autora em sua prática docente: as crianças – mesmo as de classe média alta – têm pouco contato com a obra de arte (original ou em reproduções) e grande dificuldade em aceitar como arte a pintura moderna e contemporânea.
     A autora também justifica seu projeto de ensino ao discutir a desvalorização do desenho e outras formas de expressão artística, tanto na escola como na família, principalmente a partir do momento em que se inicia o processo de alfabetização. O que é agravado quando a criança – por volta dos 9 anos – passa a valorizar a representação fotográfica da realidade e, diante da dificuldade em desenhar desta forma, acaba por utilizar estereótipos que, veiculados pela mídia, mas também validados pela escola, se apresentam como uma alternativa segura à criança insegura de sua produção.
     Ao analisar a problemática dos estereótipos presentes no desenho infantil a autora levanta algumas questões: Se o desenho da criança é construído em sua relação com o mundo, como evitar a apropriação de modelos estereotipados? Como transformar a cópia em uma atividade que, em vez de reforçar modelos, contribua para tornar a expressão gráfica da criança mais rica e mais próxima da arte?
Entendendo que a constituição do desenho da criança e a construção do conhecimento em arte "se processam a partir da movimentação entre o repertório imaginário individual e repertório cultural grupal" (p. 43), Buoro estabeleceu como objetivos de sua proposta metodológica: a) o desenvolvimento da percepção visual e da imaginação criadora; b) a ampliação do repertório imagético; c) a aquisição de conhecimentos em arte.      Convicta de que uma aproximação com a pintura poderia ampliar o conhecimento em arte e o repertório visual e gráfico das crianças, bem como "construir um olhar" – que desejava crítico –, elaborou um projeto de ensino de artes plásticas. O livro descreve a experiência de aplicação deste projeto na Escola Nossa Senhora das Graças, em São Paulo.
     O projeto compreende quatro etapas, correspondentes às quatro primeiras séries do ensino fundamental. A primeira, intitulada "Somos Todos Artistas", tem como objetivo "estimular a imaginação criadora e a expressão do aluno" (p. 53).
     Na segunda série, a etapa "Conhecendo os Elementos da Linguagem Plástica" tem como objetivo principal trabalhar os elementos da linguagem plástica (ponto, linha, forma, cor) e suas relações (ritmo, figura/fundo).
Na terceira série, a autora enfoca as questões: "O que é saber desenhar?", "A pintura é realidade?", "A arte é cópia da natureza?", "A pintura retrata o que se vê ou o que se conhece do objeto?", "O que é real?" e "A pintura é realidade?". Nesta etapa, denominada "Ampliando a Observação em Direção ao Mundo", o objetivo é enfrentar a crise do "não sei desenhar", através de atividades práticas como desenho cego, desenho de observação, desenho de memória.
     Na quarta e última série, a proposta "Cruzando Caminhos" utiliza a pintura cubista para abordar figuração/abstração e a relação forma/conteúdo, além de discutir os processos de criação dos artistas e dos próprios alunos.
     Em todas essas etapas as atividades são desenvolvidas conforme proposta de Robert Ott.1No primeiro momento, os alunos são convidados a descrever uma obra (a autora utilizou pinturas de Miró, Cézanne, Picasso, Van Gogh, Portinari e Volpi). A seguir, com o auxílio da professora, analisam os elementos e a estrutura da obra. Em seguida, fazem interpretações da obra, expressando seus sentimentos em relação a ela. No momento seguinte, a professora transmite informações sobre a obra, o artista e o conjunto de sua obra. Finalmente os alunos, inspirados pela obra que acabaram de apreciar, são convidados a produzir um trabalho empregando uma das linguagens artísticas (no projeto de Anamélia os alunos executam pinturas). 

Mario Carretero

Um olhar sobre o construtivismo

O psicólogo espanhol Mario Carretero conhece bem os prejuízos e traumas causados por uma educação mecânica e autoritária. Estudante na época em que o ditador Francisco Franco governava a Espanha (1936-1975), Carretero lembra-se com pesar das aulas rígidas na Educação Básica. "A única resposta que eu recebia era: guarde as informações de memória." Trabalhando com programas de formação docente, começou a pesquisar o funcionamento do processo de trocas conceituais, maneira pela qual conhecimentos antigos são transformados em idéias novas. Essas mudanças são, segundo ele, determinantes na aprendizagem. Hoje Carretero é catedrático da Universidade Autônoma de Madri e pesquisador da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, em Buenos Aires. Nesta entrevista, ele critica o que chama de "simplificações dos conceitos envolvidos no construtivismo", como o de que há somente um conhecimento prévio e que ele pode ser avaliado com uma simples pergunta. Além disso, mostra estratégias para promover um aprendizado significativo.

Muito se fala sobre conhecimento prévio. O que é isso, exatamente?
A teoria construtivista evoluiu nos últimos tempos e começou a incorporar não somente as idéias de Jean Piaget (1896-1980), mas também as de Lev Vygotsky (1896-1934) e as da Psicologia cognitiva. Esse processo nos permitiu chegar à conclusão de que há diversos modelos de conhecimento prévio. Alguns estão diretamente relacionados aos conteúdos curriculares — informações sobre a Segunda Guerra Mundial, por exemplo. Existem também conhecimentos prévios gerais. Esses se formam pela utilidade da disciplina que está sendo estudada. Por que aprender isso? Como os pesquisadores levantaram essas informações? Eles não têm relação com assuntos específicos. São muito importantes, mas não tão explícitos.

Como o conhecimento prévio costuma ser avaliado?
Muitas vezes o professor acredita que basta entrar na classe e perguntar o que foi aprendido no ano passado. Essa visão é muito superficial. Ninguém aprende alguma coisa partindo do nada, mas sim usando suas capacidades intelectuais, cognitivas e sociais. Para avaliá-las não existe um modelo. O importante é utilizar diferentes métodos para identificar os conhecimentos prévios.

Quais são os melhores métodos para identificar conhecimentos prévios?
Um bom caminho é criar problemas em vez de resolvê-los. Isso estimula o pensamento e deixa brechas para verificar que conceitos estão dominados. Além disso, o professor pode mesclar perguntas para a classe com conversas individuais. Selecionando alunos de forma aleatória e dialogando sobre os conteúdos e as idéias de cada um é possível identificar o que a turma realmente pensa e sabe.

O erro pode ser considerado parte do processo de aprendizagem?
Sem dúvida. Ele não pode ser eliminado ou taxado como uma coisa ruim. O erro é um passo em direção ao saber. Cabe ao professor fazer com que o estudante chegue à concepção correta. Mas isso não significa fazê-lo repetir o que está no livro. O ideal é avaliar se ele obedece a alguma lógica, se tem uma idéia completa. E, acima de tudo, os educadores devem explicar para a turma como ela está evoluindo. Muitas vezes o jovem não tem consciência do que sabe. O metaconhecimento, a consciência do que se domina, é fundamental para a aprendizagem.

Como o conhecimento prévio pode ser modificado?
Nessa questão mora o perigo. É comum encontrar profissionais que acham que ele pode ser modificado facilmente. Acreditam estar promovendo a substituição de conceitos dominados por novos quando não estão. O professor faz uma provocação, ouve a resposta, mostra que o conceito é um pouco mais complexo e acredita que a classe vai, automaticamente, construir uma nova idéia sobre o assunto. Nada disso. A construção de um conceito novo é um processo difícil, que demora e demanda esforço. Ao mesmo tempo, as pequenas evoluções de cada dia podem culminar em mudanças conceituais profundas. Não é possível, no entanto, promover essas mudanças mais do que quatro vezes ao ano.
Se a substituição de um conceito por outro é tão complexa, como ensinar conteúdos novos?
O currículo deve ter menos conteúdos, vistos com maior profundidade. Acho contraditório falar em construtivismo sem pensar em diminuir o volume de informações. Há instituições que têm mais de 30 grandes temas no currículo. Por que ensinar 15 se nem o primeiro foi compreendido?

Que conseqüência traz um currículo inchado?
Há uma aceleração desnecessária, por causa do excesso de assuntos a tratar. No Ensino Médio, por exemplo, os temas são típicos do nível universitário. O livro de uma turma de 16 anos é muito parecido com o dos calouros de faculdade. Não há problema em estudar a fotossíntese, por exemplo, por dois ou três meses. Só assim é possível entender o sentido da Biologia.

Quais são as causas do excesso de conteúdos?
O problema começa na 4ª ou na 5ª série, e em todo o mundo. Além de muitos temas curriculares, há a pressão da família e da sociedade. Se um pai percebe que o filho não sabe qual é a capital da Rússia, fica desesperado e se pergunta: "O que ele aprende na escola?" Curiosamente, não causa mal-estar descobrir que o jovem não sabe diferenciar os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Não se percebe que saber a capital da Rússia não é tão importante, mas entender a diferença entre os poderes é fundamental. O mais importante é compreender o conceito e usá-lo — não decorá-lo. Devemos construir aprendizagens significativas.
No que consiste uma aprendizagem significativa?
Ela acontece quando o estudante sente, com a própria vivência intelectual, o que está aprendendo. Ele precisa ter a oportunidade de mesclar teoria e prática. Saber o conceito de densidade, por exemplo, é essencial, assim como compreender de que maneira essa idéia é aplicada para transportar objetos por barco de um lado a outro do planeta. Em situações-problema como essa, o conceito funciona como uma ferramenta. E, assim como um martelo, um instrumento só tem sentido se tiver um uso. Aprender de verdade é manejar os conhecimentos com eficácia, com capacidade de resolver problemas. Mas cuidado: a prática não deve ser repetitiva nem passiva. Isso não tem sentido. O importante é aplicar o conhecimento.

Há uma nova maneira de pensar a prática docente?
Sim. Esse foi um problema enfrentado pelo construtivismo nos anos 1980, em vários países. A prática foi posta de lado de forma equivocada. Sem ela a aprendizagem não se consolida, o que dificulta o desenvolvimento cognitivo posterior. Precisamos dar novo sentido à prática, e não eliminá-la. Para aprender não basta compreender.

Um novo jeito de ensinar se aplicaria também à disciplina de História, por exemplo?
Creio que o ensino da História merece outro enfoque, ainda que também sofra com o excesso de temas. Nem tudo sobre a pré-história ou o século 20 é essencial. Melhor seria estudar alguns períodos, com mais profundidade. Além disso, ter consciência de que fazemos a história diariamente é muito mais produtivo do que decorar. É preciso tornar o estudo mais real, mais vivo.

Fatos recentes devem ser incorporados ao currículo?
Claro. Normalmente ensina-se a história do país onde a escola está. Isso não tem sentido, já que as nações não são mais o que eram no século 19. Os países estão desaparecendo como agentes da organização econômica e as nações estão sendo substituídas por entidades regionais. Meu passaporte me identifica como sendo da União Européia, não mais da Espanha. É muito mais importante para o aluno espanhol estudar a história da Europa do que a de seu país.

Quais as vantagens da mudança na maneira de ensinar?
A escola faria mais sentido para os jovens. Eles perceberiam que estudar é uma forma de se ligar ao mundo. Não é fácil prender a atenção deles, menos ainda nas sociedades modernas, em que a educação pública é obrigatória. O pai que deixa o filho fora da escola comete um crime. Como nem sempre o jovem estuda porque quer, só conteúdos atraentes para motivá-lo. Uma pessoa motivada vai em busca de objetivos. E esse empenho só se manifesta se existe afetividade e emoção.

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